Colégios eleitorais do Egito fecham suas portas após 1º dia de votação

Comissão Eleitoral não registrou grandes problemas. Egípcios têm mais um dia para escolher o primeiro presidente da democracia do país

iG São Paulo |

Os colégios eleitorais do Egito começaram a fechar suas portas às 21h locais (16h de Brasília) deste sábado após o primeiro dia do segundo turno das eleições presidenciais, informou a televisão local.

Segundo a Comissão Eleitoral, foram registradas algumas irregularidades em distintas províncias do país que, no entanto, não afetaram o processo eleitoral.

O presidente da Comissão, Farouk Sultan, declarou que juízes supervisores descobriram cédulas marcadas a favor de um candidato, cujo nome não quis informar, em sete províncias. No entanto, destacou que o número destas cédulas não foi significativo.

Mais de 50 milhões de egípcios foram convocados às urnas para escolher o primeiro presidente da democracia do Egito, em um pleito nos quais deverão escolher entre o islamita Mohammed Mursi e o general reformado Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro de Hosni Mubarak.

Os egípcios vão às urnas em um clima de incerteza política, só dois dias depois que a Suprema Corte ordenou a dissolução do Parlamento por irregularidades em sua formação e permitiu a Shafiq continuar com sua candidatura, que corria perigo por causa de uma lei que foi declarada inconstitucional. Neste sábado, o governo militar do Egito ordenou a dissolução do parlamento. A decisão é vista pelos islamistas que dominam a assembleia como um golpe de estado liderado pelos generais que assumiram o poder quando Hosni Mubarak foi deposto.

Os egípcios devem escolher um dos dois candidatos em uma votação que é realizada em dois dias (sábado e domingo), e que conta com a supervisão de mais de 14 mil juízes divididos em cerca de 13.100 colégios eleitorais de todo o país.

Está previsto que a apuração dos votos comece no domingo, logo após o fechamento das urnas, embora os resultados definitivos só serão conhecidos até o dia 21 de junho.

Reuters
Homem mostra o dedo sujo de tinta após votar no Cairo, capital do Egito

Retrospecto

Os dois candidatos na disputa são Mohammed Mursi, líder da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafiq, o ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak. O Supremo Conselho das Forças Armadas, que assumiu o controle do país após Mubarak ter deixado a presidência, se comprometeu a entregar o posto ao vencedor até o dia 30 de junho.

O entusiasmo em torno do pleito foi abalado por uma decisão da Suprema Corte do Egito divulgada na quinta-feira que invalidou a primeira eleição parlamentar livre no país em mais de seis décadas. Os juízes da Suprema Corte foram todos indicados por Mubarak durante o regime do ex-líder.

De acordo com a corte, o pleito parlamentar, realizado em duas fases, em novembro de 2011 e em fevereiro deste ano, teria sido inconstitucional porque representantes de partidos puderam competir por assentos no parlamento destinados a candidatos independentes.

A eleição parlamentar teve como grandes vencedores os partidos islâmicos. O Partido Justiça e Liberdade, ligado à Irmandade Muçulmana, de Mohamed Mursi, foi o grande vencedor, tendo conquistado 100 dos 235 assentos. Os islâmicos fundamentalistas salafistas do Partido Nour também obtiveram uma votação expressiva e foram o segundo bloco que mais elegeu candidatos.

A Suprema Corte também julgou inconstitucional a lei aprovada pelo Parlamento que proíbe ex-representantes do alto escalão do governo Mubarak de se candidatr a cargos públicos por 10 anos. A lei, que foi aprovada pelo Parlamento no início deste ano, proibiria Ahmed Shafiq de participar da disputa.

Há temores de que os líderes militares do Egito possam ainda dissolver o Parlamento, o que faria com que o vencedor da votação deste final de semana possa tomar posse em um Egito desprovido de um Legislativo que possa fiscalizar e cobrar do futuro líder do país.

Uma assembleia formada por cem integrantes e apontada por parlamentares no início deste ano para elaborar a nova Constituição do país também poderá vir a ser dissolvida.

Acadêmicos, líderes islâmicos e representantes da oposição denunciaram a decisão da corte como sendo um ''golpe'', acrescentando ainda que há temores de que os generais vão procurar assumir o controle do Parlamento.

Votação

Mohammed Mursi foi o candidato mais votado no primeiro turno, tendo conquistado 24,8% dos votos, contra 23,7% dados a Shafiq.

Um total de 52 milhões de eleitores estavam aptos a votar, mas o índice de comparecimento às urnas foi de apenas 46%.

Para a votação deste final de semana, o país contará com 13 mil postos de votação, espalhados pelos 27 distritos do Egito.

* Com BBC e EFE

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