Irmandade deposita esperança em eleição presidencial após perder Parlamento

Um dia após decisão judicial dissolver Legislativo de maioria islâmica do Egito, grupo pede mobilização eleitoral para garantir vitória de seu candidato em votação no fim de semana

iG São Paulo | - Atualizada às

Na véspera do segundo turno da eleição presidencial do Egito, a Irmandade Muçulmana tentou nesta sexta-feira garantir sua liderança conclamando os eleitores a votar em seu candidato depois de ter perdido seu reduto político com a dissolução do Parlamento . Em vez de convocar protestos em massa, a Irmandade pediu ação por meio do voto.

Véspera da presidencial: Suprema Corte do Egito ordena dissolução do Parlamento

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No segundo turno previsto para sábado e domingo, o candidato da Irmandade, Mohammed Morsi, enfrenta Ahmed Shafiq, que foi o último primeiro-ministro do presidente Hosni Mubarak . "Isole o representante do antigo regime por meio da urna eleitoral", disse a Irmandade em uma declaração nesta sexta, referindo-se a Shafiq.

Com o grupo vendo a eleição como sua esperança final de manter a liderança, Morsi deu garantias de que trabalharia de perto com a junta militar que sucedeu a Mubarak e priorizaria seus interesses. "Como presidente, eles estarão em meu coração e terão minha atenção... nunca farão nada para prejudicar a nação", afirmou.

As decisões judiciais desta semana de dissolver o Parlamento dominado por islâmicos e de permitir Shafiq de continuar na disputa são vistas como uma permissão para os militares manterem controle do poder. A junta assumiu depois de Mubarak ter sido forçado a renunciar após protestos populares em fevereiro de 2011, mas prometeu entregar o poder depois que um novo presidente fosse escolhido.

Uma autoridade judicial não identificada e citada no portal estatal Al-Ahram disse que o Exército terá os poderes legislativos até a eleição de um novo Parlamento ou até a redação de uma nova Constituição.

A Irmandade se tornou o maior partido no Parlamento depois de eleições vistas como as primeiras democráticas no Egito em gerações, mas a decisão da corte na quinta-feira apagou essa base de poder e deixou o país sem uma Assembleia Legislativa.

Não está claro como a dissolução do Parlamento afetará a corrida eleitoral. Poderia beneficiar Morsi, que para muitos representa a única opção para desafiar décadas de poder militar. Em contraste, também poderia beneficiar Shafiq, que é visto como o preferido pela junta militar e que alguns eleitores veem como a única esperança para um Estado secular.

A segurança foi reforçada ao redor das seções eleitorais no país todo, com mais do dobro do número de soldados e policiais em comparação com o primeiro turno, há um mês. De acordo com autoridades de segurança, haverá 200 mil policiais e 200 mil soldados no sábado e domingo para garantir que não haja episódios de violência.

Depois que a Suprema Corte Constitucional decidiu que uma lei elaborada para as eleições parlamentares há vários meses era inconstitucional por permitir que membros dos partidos concorressem a um terço das cadeiras reservadas aos independentes, mais de 200 policiais foram posicionados do lado de fora do Parlamento para impedir os parlamentares de entrarem no local.

A corte também considerou inconstitucional uma lei aprovada pelo Parlamento que teria banido Shafiq da eleição por ter tido uma posição de autoridade no ex-regime. Em sua declaração, a Irmandade reagiu afirmando que o progresso alcançado desde a queda de Mubarak estava sendo "apagado e revogado".

O país enfrenta uma situação que é "ainda mais perigosa do que nos dias finais do governo de Mubarak", disse a Irmandade.

Os poderes parecem estar ainda mais concentrados nas mãos dos generais que sucederam a Mubarak. Nesta semana, o governo nomeado pelos generais permitiu que a polícia e os agentes de segurança prendam civis sob uma ampla gama de ofensas - em uma retomada de duras práticas do regime deposto. O governo disse que a medida é temporária.

Quando foi dissolvido, o Parlamento tinha acabado de selecionar uma assembleia para escrever a nova Constituição e detalhar os poderes do Executivo. Agora o conselho militar deve apontar a assembleia, um passo que deve reforçar as suspeitas de que está sequestrando o processo e planeja desempenhar um papel ativo além do seu próprio em 1º de julho, prazo para entrega do poder para um presidente civil.

*Com AP

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