Rússia nega envio de helicópteros à Síria e acusa EUA de armar rebeldes

Lavrov defende contratos de Defesa com regime sírio e, pela primeira vez, faz acusação direta ao governo americano sobre fornecimento de armas à oposição

iG São Paulo | - Atualizada às

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, defendeu todos os contratos de venda de equipamentos de Defesa da Rússia para a Síria e acusou os Estados Unidos de fornecer armas para os rebeldes que lutam contra o presidente Bashar Al-Assad. A declaração é feita um dia depois de a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmar ter informações de que helicópteros de ataque russos estavam a caminho da Síria.

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AP
Manifestante mostra cartaz que chama o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, de mentiroso, durante protesto em Zabadani, na Síria (12/06)

Em entrevista coletiva em Teerã, capital do Irã, Lavrov negou o envio dos helicópteros de ataque  e afirmou que a Rússia apenas cumpre contatos referentes à defesa aérea, firmados antes da crise síria. “Não estamos violando nenhuma lei internacional com esses contratos. São equipamentos de defesa”, afirmou Lavrov.

"Não estamos dando à Síria ou a qualquer outro país itens que possam ser usados contra manifestantes, ao contrário dos Estados Unidos, que enviam armas para a região regularmente", acrescentou. "(O que a Rússia está fazendo) contrasta com o que os EUA estão fazendo com a oposição, que é armar a oposição da Síria para atacar o governo da Síria."

Recuo: Hillary pressiona Rússia, que nega ter acusado EUA de armar rebeldes sírios

Os comentários de Hillary durante uma aparição pública com o presidente israelense, Shimon Peres, indicaram que há pouco espaço para uma solução pacífica para o conflito sírio. Autoridades de várias partes do mundo estão alertando que a violência ameaça se transformar em uma guerra civil total, com as potências do Oriente Médio, do Irã à Turquia, possivelmente sendo atraídas para o conflito.

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As esperanças diplomáticas têm estado em Washington e Moscou concordando em um plano de paz para pôr fim às quatro décadas de regime da dinastia Assad. Mas Moscou rejeitou o uso de forças externas para pôr fim ao conflito ou qualquer plano internacional para forçar uma mudança de regime em Damasco. Apesar de todas as críticas do Ocidente, o país insiste que qualquer fornecimento de armas à Síria não é usado para reprimir o movimento antigoverno.

A Rússia e a Síria têm uma relação militar de longa data, e a Síria abriga a única base naval da Rússia no Mar Mediterrâneo. Mas perante a violência brutal, os EUA repetidamente pediram a suspensão do fornecimento de armas. O apoio militar russo em forma de material tão avançado como helicópteros de ataque representaria um sério golpe aos esforços de prejudicar o Exército sírio com a falta de suprimentos.

Lavrov reforçou que a posição da Rússia sobre a Síria é baseada em preocupações com a população do país, e não por qualquer tipo de amizade com Assad. “Já disse muitas vezes que nossa posição não significa apoio a Assad ou a qualquer pessoa. Não queremos que a Síria se desintegre”, afirmou.

O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, que estava na coletiva com Lavrov, afirmou que a crise na Síria não pode ser resolvida por potências externas. “O Irã disse muitas vezes: a questão síria tem de ser solucionada pelos sírios, sem interferências”, disse.

Com Reuters e AFP

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