Chanceler confirma que país está em guerra civil e pede resolução sob capítulo 7 da Carta da ONU, que prevê possibilidade de força militar; Rússia e China devem vetar iniciativa

O ministro de Relações Exteriores, Laurent Fabius, disse que pedirá ao Conselho de Segurança da ONU que torne o plano de paz do enviado especial Kofi Annan para a Síria obrigatório. Ele disse que a França proporia que o plano de seis pontos de Annan fosse posto em vigor sob o capítulo 7 da Carta da ONU.

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Reprodução de vídeo amador mostra sério de explosões na cidade de Homs, centro da Síria (11/06)
AP
Reprodução de vídeo amador mostra sério de explosões na cidade de Homs, centro da Síria (11/06)

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Uma resolução com base no capítulo 7 autoriza ação que, em último caso, pode incluir o uso da força militar, o que a Rússia e China (membros com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU, juntamento com EUA, França e Reino Unido) provavelmente não aprovariam. Fabius disse esperar que a Rússia concorde com a proposta.

Juntamente com a China, a Rússia bloqueou por duas vezes condenações da ONU e ações punitivas contra o regime. Por várias vezes, os dois países também declararam sua forte oposição a uma intervenção internacional ou a esforços de mudança de regime no país árabe.

Em Paris, Fabius disse que o conflito na Síria se tornou uma "guerra civil". Suas declarações ecoaram as palavras do chefe de operações de paz da ONU , Hervé Ladsous, na terça-feira.

O Ministério de Relações Exteriores síria reagiu às declarações negando que exista uma guerra civil no país e afirmando que o país trava uma guerra contra o terrorismo. "A Síria não é cenário de uma guerra civil, mas luta para erradicar o terrorismo e enfrentar os assassinatos, sequestros e explosões", disse o ministério em um comunicado, no qual destaca que os dirigentes da ONU têm de ser "neutros, objetivos e precisos".

"Falar de guerra civil não está de acordo com a realidade. O que acontece é uma guerra contra grupos armados que optaram pelo terrorismo para alcançar seus objetivos e conspirar contra o futuro do povo sírio", completou a nota. O ministério sírio manifestou "surpresa" com as declarações de Ladsous.

Exportação de armas

Também nesta quarta-feira, o porta-voz da Chancelaria francesa, Bernard Valero, pediu o fim total de exportações de armas ao regime de Bashar al-Assad. "Pedimos o fim total das exportações ao regime sírio, como solicitou perante o Conselho de Segurança na semana passada Kofi Annan, enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe", declarou.

"Reiteramos nosso pleno apoio e nosso respeito escrupuloso ao embargo total de armas contra a Síria imposto pela Europa", disse o porta-voz num momento em que os países ocidentais, em particular os EUA, criticam envio de armas à Síria por parte da Rússia. A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, acusou na terça-feira a Rússia de  enviar helicópteros de ataque à Síria.

O ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, rejeitou nesta quarta-feira a acusação, afirmando duante uma visita ao Irã que a Rússia apenas está completando acordos de armamento prévios com a Síria que seriam exclusivamente voltados para sistemas de defesa aérea .

*Com BBC e AFP

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