Forças sírias dizem ter retomado controle de área perto da cidade natal de Assad

EUA alertaram para perigo de massacre em Haffa, alvo de intensos ataques que duraram oito dias e deixaram cerca de 120 mortos, segundo ativistas

iG São Paulo | - Atualizada às

Forças de segurança da Síria afirmaram ter retomado o controle de uma importante área rebelde nesta terça-feira, após oito dias de intensos combates. Combatentes da oposição foram expulsos da região montanhosa de Haffa, considerada crucial para o regime por estar localizada a 30 km de Kardaha, cidade natal do presidente Bashar Al-Assad. A região tem grande população alauíta, seita minoritária à qual Assad pertence .

A TV estatal afirmou que as forças do regime “limparam” a região de Haffa de “grupos terroristas armados”. O Exército Livre da Síria, formado por dissidentes, disse ter retirado seus combatentes de Haffa para “poupar” os moradores dos bombardeios.

Leia também:  Síria está em guerra civil, diz chefe das forças de paz da ONU

Reuters
Foto de 8 de junho de 2012 mostra fumaça após ataque em Al Khalidieh, perto de Homs, na Síria

Centenas de combatentes rebeldes foram cercados e expulsos do local durante a madrugada. Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, órgão da oposição que tem sede em Londres, eles fugiram para os vilarejos de Zanqufa, Dafil e Bakkas. O grupo estimou que os oito dias de confrontos tenham deixado cerca de 120 mortos.

Os combates em Haffa foram tão intensos que há dois dias a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, alertou que as forças de Assad poderiam cometer um massacre no local. A declaração foi condenada pelo Ministério das Relações Exteriores da Síria, que acusou o governo americano de interferência nos assuntos internos do país.

Na terça-feira, monitores da Organização das Nações Unidas (ONU) relatam que disparos os forçaram a dar meia volta enquanto tentavam alcançar a cidade. Os observadores disseram que multidões lançando pedras os impediram de chegar a Haffa, e três carros foram atingidos por disparos quando deixavam o local.

Ataques também foram registrados nesta quarta-feira na cidade de Homs, centro da Síria, especialmente nos bairros controlados pelos rebelde. Vídeos publicados na internet por ativistas mostraram a cidade sob uma densa e negra fumaça, enquanto disparos e explosões eram ouvidas.

Em uma cidade próxima, Deir Baalbah, rebeldes e forças de segurança trocaram tiros em áreas residências, também de acordo com um vídeo publicado por ativistas na internet. Também há relatos de violência em Bosta, Rastan e Deil al-Zour.

'Guerra civil'

Na terça-feira, o chefe das missões de paz da ONU, Hervé Ladsous, afirmou que o conflito que já dura 15 meses na Síria tomou as proporções de uma guerra civil , na qual o governo tenta retomar grandes faixas de território urbano perdido para a oposição.

Foi a primeira vez que uma autoridade do alto escalão da ONU declarou que o conflito na Síria é uma guerra civil. "Agora confirmamos as notícias não apenas sobre o uso de tanques e artilharia, mas também de helicópteros de ataque", afirmou Ladsous. "Isso está de fato aumentando de proporção."

O Ministério das Relações Exteriores da Síria negou que exista uma guerra civil no país e afirmou que o governo trava uma guerra contra o terrorismo.

"A Síria não é cenário de uma guerra civil, mas luta para erradicar o terrorismo e enfrentar os assassinatos, sequestros e explosões", afirmou o ministério, em comunicado. "Falar de guerra civil não está de acordo com a realidade. O que está acontecendo é uma guerra contra grupos armados que optaram pelo terrorismo para alcançar seus objetivos e conspirar contra o futuro do povo sírio.”

Assassinato

Também na quarta-feira, o ex-presidente da Federação Síria de Futebol Marwan Arafat foi assassinado, de acordo com a agência oficial de notícias Sana. Arafat, 67 anos, natural de Deraa, foi árbitro de futebol e também um famoso analista e jornalista esportivo.

"Um grupo terrorista armado assassinou Marwan Arafat entre a fronteira com a Jordânia e a cidade de Tiba, na região de Deraa", indicou a Sana, classificando sua morte de "grande perda para o esporte sírio".

Sua esposa ficou gravemente ferida no ataque, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Com AP, BBC e AFP

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