Tunísia impõe toque de recolher ao redor da capital após protestos 'islâmicos'

Radicais islâmicos incendiaram prédios administrativos e saquearam exposição que descreveram como ofensiva ao Islã

iG São Paulo | - Atualizada às

Autoridades da Tunísia impuseram a região metropolitana da capital, bem como várias áreas no interior do país do norte da África, sob toque de recolher depois de protestos de radicais islâmicos. De acordo com a agência oficial TAP, a medida está em vigor desde as 21h locais às 5h de quarta-feira (17h às 1h em Brasília) em cinco regiões em torno da capital e nas províncias de Sousse, Monastir e Jendouba, e não está claro por quanto tempo ficará em vigor.

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A polícia tunisiana fez disparos de advertência no início do dia em três subúrbios de Túnis para dispersar manifestantes islâmicos depois de eles terem posto fogo em um posto de segurança e saqueado a exibição de arte "A Primavera das Artes" em La Marsa, que descreveram como ofensiva ao Islã. Os incidentes violentos foram os mais recentes de uma série de protestos de radicais islâmicos.

Os ataques contra prédios administrativos e os confrontos com as forças de segurança ocorreram na noite de segunda e na madrugada desta terça nos vários bairros populares de Intilaka, Etadhamen e Esijumi, no oeste da Tunísia, e também nas zonas ricas da periferia norte, como La Marsa, Cartago e El Kram.

Os grupos eram "mistos", com "pessoas do movimento salafista e com vândalos", disse Khaled Tarruche, um porta-voz do Ministério do Interior, que indicou que houve 50 prisões e que sete policiais ficaram levemente feridos. Os salafistas, porém, rejeitaram envolvimento nos tumultos.

O incidente mais grave aconteceu em Esijumi, onde houve ataques ao tribunal e foi incendiado o gabinete do procurador. O ministro da Justiça Nurredin Bhiri denunciou as manifestações como "atos terroristas" e prometeu que os culpados "pagariam caro".

A violência também afetou os bairros populares de Etadhamen, onde um posto da guarda nacional foi incendiado, e de Intilaka.

Desde a queda do líder autocrático tunisiano Zine al-Abidine Ben Ali , em 17 de janeiro de 2011, depois de uma revolta popular que estimulou a Primavera Árabe em outros países do Oriente Médio e do norte da África, houve um ressurgimento dos islamitas mais linha dura no país.

Mas o movimento salafista, cujos atos estão sendo cada vez mais violentos nos últimos meses, rejeitou estar por trás dos incidentes, que ocorreram apenas dois dias depois de uma convocação do líder da Al-Qaeda , Ayman al- Zawahiri , pedindo aos tunisianos que se levantassem para exigir a aplicação da sharia no país.

*Com AP, EFE e AFP

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