Rússia envia helicópteros de ataque para a Síria, diz Hillary

Ao lado de presidente israelense, secretária de Estado dos EUA alerta que conflito de 15 meses do país árabe pode se tornar ainda mais mortal

iG São Paulo | - Atualizada às

O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta terça-feira que a Rússia está enviando helicópteros de ataque ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, e alertou que o conflito que atinge o país árabe há 15 meses poderia se tornar ainda mais mortal.

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A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os EUA estão "preocupados com a recente informação de que os helicópteros de ataque estão a caminho da Síria provenientes da Rússia". Ela afirmou que a carga "escalará o conflito dramaticamente".

Os comentários de Hillary durante uma aparição pública com o presidente israelense, Shimon Peres, indicaram que há pouco espaço para uma solução pacífica para o conflito sírio. Autoridades de várias partes do mundo estão alertando que a violência ameaça se transformar em uma guerra civil total, com as potências do Oriente Médio, do Irã à Turquia, possivelmente sendo atraídas para o conflito .

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Quando questionado nesta terça-feira se o violência na Síria poderia ser caracterizada como guerra civil, o chefe das forças de paz da ONU, Hervé Ladsous, respondeu: " Sim, acho que podemos dizer isso ." A declaração representa a primeira vez que uma autoridade de alto escalão da ONU reconheceu que o conflito chegou a esse estágio.

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As esperanças diplomáticas têm estado em Washington e Moscou concordando em um plano de paz para pôr fim às quatro décadas de regime da dinastia Assad. Bashar, que está no poder há 11 anos, sucedeu ao seu pai, Hafez Al-Assad, que governou a Síria por 30.

Mas Moscou de forma consistente rejeitou o uso de forças externas para pôr fim ao conflito ou qualquer plano internacional para forçar uma mudança de regime em Damasco. Apesar de todas as críticas do Ocidente, o país insiste que qualquer fornecimento de armas à Síria não é usado para reprimir o movimento antigoverno.

Com a diplomacia em um impasse, o relatado envio de helicópteros sugere uma nova reviravolta perigosa para a Síria depois de mais de um ano de dura repressão do governo contra protestos em sua maioria pacíficos e do surgimento de uma insurgência armada cada vez mais organizada.

AP
Fumaça sobe de área residencial de Talbisah, na cidade de Homs (09/06)

A Rússia e a Síria têm uma relação militar de longa data, e a Síria abriga a única base naval da Rússia no Mar Mediterrâneo. Mas perante a violência brutal, os EUA repetidamente pediram a suspensão do fornecimento de armas. O apoio militar russo em forma de material tão avançado como helicópteros de ataque representaria um sério golpe aos esforços de prejudicar o Exército sírio com a falta de suprimentos.

De acordo com grupos de oposição, a violência deixou cerca de 13 mil mortos desde março do ano passado, quando o levante teve início, mas os EUA e seus aliados esperavam que as sanções contra o governo de Assad e seu crescente isolamento tornassem cada vez mais difícil realizar campanhas militares.

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Na segunda-feira, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, criticou o que chamou de "novas táticas horríveis" usadas pelas forças sírias, incluindo o uso de helicópteros para disparar contra os civis a partir do ar. Ela disse que os ataques eram "uma escalada muito séria" e disse que os comandantes sírios seriam responsabilizados por quaisquer crimes contra a humanidade.

Hillary também alertou sobre o aumento da presença de forças sírias perto de Aleppo nos dois últimos dias, dizendo que o posicionamento de tropas na região poderia ser um "aviso" para a Turquia, que fica na fronteira norte da Síria, "em termos de seus interesses estratégicos e nacionais". "Estamos observando isso cuidadosamente", disse.

*Com AP e Reuters

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