Observadores da ONU recuam após serem alvo de disparos perto de Haffa, Síria

Monitores tentavam chegar à cidade bombardeada por forças de Damasco; segundo vice-chefe das missões de paz da ONU, Síria está agora em estado de guerra civil

iG São Paulo | - Atualizada às

Monitores da ONU relatam que disparos os forçaram a dar meia volta enquanto tentavam alcançar a cidade de Haffa, no norte da Síria, onde posições rebeldes estão sendo bombardeadas por forças do governo.

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AP
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Os observadores disseram que multidões lançando pedras os impediram de chegar a Haffa, e três carros foram atingidos por disparos quando deixavam o local. Segundo o sub-secretário para Operações de Paz da ONU, Hervé Ladsous, a Síria está agora em um estado de guerra civil .

Na ONU em Nova York, ele disse que várias partes do país não estão mais sob controle do governo. Os monitores recuaram no último posto de controle antes de Haffa, julgando que a situação não era segura, disse uma porta-voz da ONU.

Enquanto os monitores deixaram a área, um multidão enraivecida arremessou pedras e barras de metal contra a equipe da ONU antes de agressores desconhecidos dispararem. Segundo Ladsous, o ataque foi deliberado.

Essa é a segunda vez em menos de uma semana que monitores foram alvo de disparos na Síria. Na quinta-feira, monitores foram impedidos por atiradores de chegar à área de massacre no centro do país.

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Questionado se acreditava que a Síria estava agora em guerra civil, ele respondeu: "Sim, acho que podemos dizer. Claramente o que está acontecendo é que o governo da Síria perdeu grandes partes de território, várias cidades para a oposição, e quer retomar o controle."

A ONU alertou para uma alarmante escalada na violência em Haffa . Os confrontos acontecem enquanto o governo sírio é acusado de estar por trás de dois massacres nos dois últimos meses.

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No dia 6, membros da milícia  Shabiha , pró-governo de Damasco, teriam matado entre 55 e 78 civis na vila de Qubair, na Província de Hama (centro do país). Observadores da ONU que conseguiram visitar o local após terem sido alvo de disparos afirmaram na sexta-feira ter visto manchas de sangue nas paredes e sentido um "forte cheiro de carne queimada". A chacina aconteceu menos de duas semanas depois de 108 civis , incluindo 49 crianças e 34 mulheres , terem sido executados na região de Houla, Província de Homs.

Mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância do "acesso" a Haffa, em meio aos relatos de que as forças do governo estão cercando a cidade. Segundo ativistas, bombardeios continuaram em Haffa enquanto dez pessoas teriam morrido em Deir al-Zour, no leste.

*Com BBC

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