Forças sírias bombardeiam e atacam com tanques e helicópteros áreas com civis

Enviado especial da ONU vê escalada em bombardeios contra Homs e uso de força contra cidade de Haffa, pedindo que rebeldes e governo tentem evitar danos à população civil

iG São Paulo | - Atualizada às

O enviado especial da ONU, Kofi Annan, disse nesta segunda-feira estar "muito preocupado" com a escalada dos combates na Síria, citando o bombardeio contra áreas da oposição na Província de Homs, no centro do país, e relatos de uso de morteiros, helicópteros e tanques de ataque na cidade de al-Haffa, na Província de Latakia, perto da costa mediterrânea. Segundo seu porta-voz, Ahmad Fawzi, civis estão presos sob o fogo cruzado nos dois lugares.

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AP
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A violência aumentou nas últimas semanas enquanto ambos os lados ignoram um cessar-fogo estabelecido por Annan, que nominalmente entrou em vigor em 12 de abril, mas nunca foi respeitado. De acordo com Fawzi, Annan pede que os opositores do regime e as forças de Damasco "tomem todos os passos para que os civis não sejam prejudicados".

De acordo com vídeos postados online, bolas de fogo de chamas laranjas e fumaça negra explodiram no ar enquanto várias bombas caíam em áreas residenciais de Homs nesta segunda-feira. Também há relatos de duros combates na Província de Idlib, norte do país.

Ativistas relataram 50 mortes em todo o país, mas como o governo impede a atuação da imprensa no país, não é possível confirmar de forma independente o número bem a autenticidade dos vídeos colocados na web.

Sausan Ghosheh, porta-voz dos observadores da ONU na Síria, disse haver relatos de que crianças e mulheres estão presos em Homs. "Há duros combates enquanto o Exército sírio tenta retomar posições conquistadas pelos rebeldes", disse Rami Abdul-Rahman, do Observatório Sírio de Direitos Humanos, que fica no Reino Unido e usa uma rede de fontes em campo. "Há muitos mortos entre os rebeldes", disse.

Ativistas relataram que soldados sírios com helicópteros de combate atacaram Rastan, um reduto rebelde na Província de Homs, e bombardearam outras áreas em todo o país. Rastan resistiu a repetidas ofensivas do governo durante meses, disseram.

O Observatório e os Comitês de Coordenação Local, outra coalizão opositora, também deram informações sobre ataques contra Daraa, região no sul do país, a Província de Aleppo, no norte, e contra os subúrbios da capital, Damasco, e Deir el-Zour, no leste.

Ativistas dizem que a repressão de Assad contra o levante antigoverno deixou 13 mil mortos desde março de 2011, quando começou. Um ano depois do início da revolta , a ONU estimou o número de mortos em mais de 9 mil , mas centenas morreram desde então. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse na sexta-feira que 1,5 milhão de civis necessitam de ajuda humanitária na Síria.

O conflito está entre os mais explosivos da Primavera Árabe , em parte por causa da rede de alianças da Síria, como com o grupo xiita libanês Hezbollah e o xiita Irã. A Rússia e a China têm impedido uma ação mais forte do Conselho de Segurança da ONU , dando a Assad uma significativa proteção enquanto a repressão continua. Ambos os países, que têm poder de veto no órgão mais importante da ONU, opõem-se a uma intervenção na Síria.

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Apesar da posição forte da Rússia, o chanceler britânico, William Hague, disse no domingo que o Reino Unido não descartava o uso de uma intervenção militar internacional. Ainda assim, os EUA e seus aliados têm pouca disposição de se envolver em outro país árabe em conflito. Há também uma real preocupação de que o conflito se espalhe para os outros países da região.

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