Observadores da ONU chegam a cenário de massacre de Hama, na Síria

Na quinta, disparos forçaram recuo de monitores que se dirigiam à vila de Qubair, onde 78 civis teriam sido mortos; Damasco teria retirado maioria dos corpos para 'limpar' local

iG São Paulo | - Atualizada às

Em um comboio vindo de Damasco, observadores da ONU chegaram nesta sexta-feira à vila de Qubair, na Província de Hama (centro do país), onde um massacre teria deixado dezenas de mortos na quarta-feira . Na quinta, monitores que tentavam entrar no local foram forçados a recuar após serem " alvo de disparos com armas de baixo calibre". Ele, porém, não mencionou se o incidente deixou vítimas.

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AP
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Como o regime de Bashar al-Assad impossibilita o acesso da imprensa, é impossível confirmar de forma independente o número exato de mortos e as circunstâncias da chacina em Qubair. Dois grupos de ativistas sírios, o Comitê de Coordenação Local e o Conselho Nacional Sírio, apontaram que o massacre deixou 78 mortos, incluindo muitas mulheres e crianças.

O regime sírio, porém, diz que terroristas são responsáveis pela morte de nove pessoas. A TV estatal síria divulgou vídeos com imagens de mulheres e crianças mortas acusando terroristas de realizar a matança para estimular uma intervenção externa no país. De acordo com ativistas, forças do governo retiraram muitos corpos enquanto os observadores da ONU tentavam chegar ao local na quinta-feira.

Na quinta-feira, o chefe da missão de observadores da ONU, o general norueguês Robert Mood, disse que os monitores da ONU mobilizados na Síria foram impedidos, principalmente "por barreiras do Exército", de chegar à vila. "Os observadores ainda não conseguiram chegar à aldeia. Sua missão é prejudicada pelo (...) fato de terem sido parados em barreiras do Exército sírio e, em alguns casos, terem sido obrigados a voltar", indicou em um comunicado.

O chefe da missão da ONU acrescentou que "algumas de nossas patrulhas foram paradas por civis na área". "Recebemos informações de moradores de que a segurança de nossos observadores estaria em perigo se entrássemos na aldeia de Qubair", acrescentou.

Hama foi o local de um notório massacre em 1982 , quando o pai e antecessor de Assad, Hafez, ordenou que o Exército coibisse uma rebelião sunita. A Anistia Internacional estimou que entre 10 mil e 25 mil foram mortos no cerco, embora existam dados conflitantes e o governo sírio nunca tenha feito uma estimativa oficial.

O novo massacre ocorreu menos de duas semanas depois de 108 civis , incluindo 49 crianças e 34 mulheres , terem sido mortos na região de Houla, na Província de Hama. Os massacres acontecem enquanto um plano de paz fracassa e o país se aproxima cada vez mais de uma guerra civil .

Ativistas dizem que a repressão de Assad contra o levante antigoverno deixou 13 mil mortos desde março de 2011. Um ano depois do início da revolta, a ONU estimou o número de mortos em mais de 9 mil , mas centenas morreram desde então.

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Também na quinta, o enviado internacional Kofi Annan alertou o Conselho de Segurança da ONU que a crise na Síria pode ficar fora de controle em breve e pediu " pressão substancial " sobre Damasco por estar minando seu plano de paz.

AFP
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Annan fez as declarações em sessão a portas fechadas do Conselho de Segurança com a presença do secretário-geral da ONU, que afirmou que as esperanças para consolidar o plano de paz de seis pontos de Annan para a Síria estavam acabando em meio à implacável violência das forças leais Assad e dos rebeldes de oposição, disseram diplomatas em condição de anonimato.

A comunidade internacional vem condenando a repressão conduzida por Assad, mas os EUA e seus aliados têm pouca possibilidade de ação na Síria. Os líderes ocidentais depositaram suas esperanças na pressão diplomática de Annan, com os EUA e outros não desejando se envolver profundamente em outro tumulto em uma nação árabe - principalmente uma tão imprevisível quanto a Síria.

O conflito está entre os mais explosivos da Primavera Árabe , em parte por causa da rede de alianças de forças como o grupo xiita libanês Hezbollah e o xiita Irã. A Rússia e a China têm impedido uma ação mais forte do Conselho de Segurança da ONU, dando a Assad uma significativa proteção enquanto a repressão continua. Ambos os países, que têm poder de veto no órgão mais importante da ONU, opõem-se a uma intervenção militar na Síria.

*Com BBC, AP e AFP

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