Dois grupos de oposição indicam que 78 civis, incluindo muitas mulheres e crianças, foram executados a tiros ou a facadas na vila agrícola de Qubair, em Hama

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que monitores da organização foram alvo de disparos ao tentar chegar ao cenário do mais recente massacre da Síria , que teria deixado dezenas de mortos. À Assembleia Geral da ONU, Ban disse que observadores desarmados tiveram inicialmente seu acesso negado à vila de Qubair, na Província de Hama (centro do país), e que "foram alvo de disparos com armas de baixo calibre" enquanto tentavam chegar ao local. Ele, porém, não mencionou se o incidente deixou vítimas.

Nova barbárie:  Oposição denuncia massacre de dezenas, incluindo crianças, em Hama

Vídeo indica mostram meninos sírios que sobreviveram a massacre em Hama, centro da Síria
AP
Vídeo indica mostram meninos sírios que sobreviveram a massacre em Hama, centro da Síria

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Como o regime de Bashar al-Assad impossibilita o acesso da imprensa, é impossível confirmar de forma independente o número exato de mortos e as circunstâncias da chacina em Qubair. Dois grupos de ativistas sírios, o Comitê de Coordenação Local e o Conselho Nacional Sírio, apontaram que o massacre deixou 78 mortos, incluindo muitas mulheres e crianças. 

De acordo com as duas fontes, milicianos pró-governo conhecidos como shabiha primeiramente dispararam contra a vila agrícola e depois invadiram o local. Algumas das vítimas foram executadas a tiros, outras mortas a facadas, e houve corpos que foram queimados. O governo sírio negou que o massacre tenha acontecido.

Segundo Ban, cada dia a Síria vê mais "atrocidades horríveis", e há meses ficou evidente que o presidente Assad e seu governo "perderam toda a legitimidade".

O secretário-geral disse que qualquer regime que tolere massacres como o de 108 civis no mês passado na região de Houla, na Província de Hama, e o de quarta-feira em Hama "perdeu sua humanidade fundamental". Entre os mortos de Houla havia 49 crianças e 43 mulheres . Os massacres acontecem enquanto um plano de paz fracassa e o país se aproxima cada vez mais de uma guerra civil .

De acordo com o chefe da missão de observadores da ONU, o general norueguês Robert Mood, os monitores da ONU mobilizados na Síria foram impedidos nesta quinta-feira, principalmente "por barreiras do Exército", de chegar à vila. "Os observadores ainda não conseguiram chegar à aldeia. Sua missão é prejudicada pelo (...) fato de terem sido parados em barreiras do Exército sírio e, em alguns casos, terem sido obrigados a voltar", indicou em um comunicado.

O chefe da missão da ONU acrescentou que "algumas de nossas patrulhas foram paradas por civis na área". "Recebemos informações de moradores de que a segurança de nossos observadores estaria em perigo se entrássemos na aldeia de Qubair", acrescentou.

Hama foi o local de um notório massacre em 1982 , quando o pai e antecessor de Assad, Hafez, ordenou que o Exército coibisse uma rebelião sunita. A Anistia Internacional estimou que entre 10 mil e 25 mil foram mortos no cerco, embora existam dados conflitantes e o governo sírio nunca tenha feito uma estimativa oficial.

Ativistas dizem que a repressão de Assad contra o levante antigoverno deixou 13 mil mortos desde março de 2011. Um ano depois do início da revolta, a ONU estimou o número de mortos em mais de 9 mil , mas centenas morreram desde então.

Imagens alegam mostram corpos de crianças mortas em Qubair, na Província de Hama
AP
Imagens alegam mostram corpos de crianças mortas em Qubair, na Província de Hama

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A comunidade internacional vem condenando a repressão conduzida por Assad, mas os EUA e seus aliados têm pouca possibilidade de ação na Síria. Os líderes ocidentais depositaram suas esperanças na pressão diplomática do enviado especial Kofi Annan, com os EUA e outros não desejando se envolver profundamente em outro tumulto em uma nação árabe - principalmente uma tão imprevisível quanto a Síria.

O conflito está entre os mais explosivos da Primavera Árabe , em parte por causa da rede de alianças de forças como o grupo xiita libanês Hezbollah e o xiita Irã. A Rússia e a China têm impedido uma ação mais forte do Conselho de Segurança da ONU, dando a Assad uma significativa proteção enquanto a repressão continua. Ambos os países, que têm poder de veto no órgão mais importante da ONU, opõem-se a uma intervenção militar na Síria.

*Com AP, BBC e AFP

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