Segundo ativistas, entre 23 e 86 teriam morrido no centro do país menos de duas semanas depois de massacre de 108 civis em Houla

Parentes de soldado de Exército Livre da Síria morto durante confrontos com atiradores do regime choram durante seu enterrou nos arredores de Idlib (04/06)
AP
Parentes de soldado de Exército Livre da Síria morto durante confrontos com atiradores do regime choram durante seu enterrou nos arredores de Idlib (04/06)

Ativistas sírios denunciaram um novo banho de sangue na Província de Hama, no centro da Síria, nesta quarta-feira, com ao menos 23 mortos, segundo Rami Abdul-Rahman, chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos. Mas o grupo ativista Comitê de Coordenação Local apontou que há ao menos 86 mortos.

Impasse: EUA buscam plano de transição na Síria apesar da oposição de Rússia e China

Violência: Chefe de direitos humanos da ONU alerta para guerra civil total na Síria

De acordo com a rede britânica BBC, haveria mais de 20 crianças e 20 mulheres entre os mortos nas vilas de Qubair e Maarzaf. A TV estatal síria disse que soldados encontraram alguns corpos depois de atacarem "terroristas". Abdul-Rahman pediu que observadores da ONU visitem a área imediatamente. "Não esperem até amanhã para investigar esse último massacre", disse.

A matança provavelmente desatará mais ultraje quase duas semanas depois do massacre de 108 civis , incluindo 49 crianças e 34 mulheres , na região de Houla, na Província de Homs. Os massacres acontecem enquanto um plano de paz fracassa e o país se aproxima cada vez mais de uma guerra civil . Como o regime de Bashar al-Assad restringe a cobertura dos acontecimentos na Síria, é impossível confirmar de forma independente as circunstâncias exatas da violência em Hama. Assad diz que uma conspiração quer destruir o país, culpando terroristas e extremistas estrangeiros pela violência.

Ataque suicidas no estilo da rede terrorista Al-Qaeda se tornaram cada vez mais comuns na Síria, e autoridades ocidentais dizem haver poucas dúvidas de que extremistas islâmicos, alguns associados à rede, alcançaram avanços em meio à instabilidade do país.

Hama foi o local de um notório massacre em 1982, quando o pai e antecessor de Assad, Hafez, ordenou que o Exército coibisse uma rebelião sunita. A Anistia Internacional estimou que entre 10 mil e 25 mil foram mortos no cerco, embora existam dados conflitantes e o governo sírio nunca tenha feito uma estimativa oficial.

Ativistas dizem que a repressão de Assad contra o levante antigoverno deixou 13 mil mortos desde março de 2011. Um ano depois do início da revolta, a ONU estimou o número de mortos em mais de 9 mil , mas centenas morreram desde então.

Escalada: Levante na Síria completa um ano e ameaça se espalhar por região

A comunidade internacional vem condenando a repressão conduzida por Assad, mas os EUA e seus aliados têm pouca possibilidade de ação na Síria. Os líderes ocidentais depositaram suas esperanças na pressão diplomática do enviado especial Kofi Annan, com os EUA e outros não desejando se envolver profundamente em outro tumulto em uma nação árabe - principalmente uma tão imprevisível quanto a Síria.

O conflito está entre os mais explosivos da Primavera Árabe, em parte por causa da rede de alianças de forças como o grupo xiita libanês Hezbollah e o xiita Irã. A Rússia e a China têm impedido uma ação mais forte do Conselho de Segurança da ONU, dando a Assad uma significativa proteção enquanto a repressão continua. Ambos os países, que têm poder de veto no órgão mais importante da ONU, opõem-se a uma intervenção militar na Síria .

Veja mapa com a divisão sectária dos países e o que está em jogo para eles com o conflito:

Apesar disso, o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, alertou a Síria que sanções da ONU podem estar próximas, enquanto a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, dirigiu-se nesta quarta-feira para a Turquia para negociações estratégicas e para buscar um caminho para conseguir o apoio da Rússia para um plano de transição que ponha fim ao regime de Assad.

Reunidos em Pequim, os presidentes russos, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao, no entanto, reiteraram sua forte oposição a uma intervenção internacional ou a esforços de mudança de regime no país árabe. "Ambos os lados firmemente se opõem a solucionar a crise síria por meio de intervenção militar estrangeira ou à promoção de uma 'mudança de regime' forçada no Conselho de Segurança da ONU ou por outros meios", disseram os dois líderes em uma declaração conjunta.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.