EUA buscam plano de transição na Síria apesar da oposição de Rússia e China

Washington alerta para possibilidade de impor sanções na ONU e recorrer à resolução que preveja ação militar, enquanto Moscou e Pequim rejeitam intervenção em país

iG São Paulo | - Atualizada às

O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, alertou a Síria que sanções da ONU podem estar próximas, enquanto a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, dirige-se nesta quarta-feira para a Turquia para negociações estratégicas e para buscar um caminho para conseguir o apoio da Rússia para um plano de transição que ponha fim ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

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Menino sírio caminho perto de destroços de casa destruída durante operação militar das forças de Assad em Taftanaz (05/06)

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A mensagem foi entregue pelo secretário do Tesouro americano, que conclamou o mundo a exercer uma "pressão financeira máxima" sobre o governo de Assad depois de 15 meses de violência . Ele argumentou que "sanções fortes podem ajudar a acelerar o momento em que Assad deixará o poder", mas reconheceu que somente as punições financeiras e diplomáticas não podem trazer a necessária mudança política.

Geithner disse que, se a Síria não demonstrar "um respeito significativo" aos esforços da ONU para pôr fim à violência, os EUA e outros países "em breve se unirão para adotar ações apropriadas contra o regime sírio, incluindo, se necessário, o capítulo 7 no Conselho de Segurança da ONU". Uma resolução com base no capítulo 7 autoriza ação que, em último caso, pode incluir o uso da força militar, que autoridades do governo - por enquanto - desconsideram como uma possibilidade.

Mas autoridades do Tesouro disseram que o objetivo dos EUA é alcançar sanções globais, e não uma intervenção militar na Síria.

Apesar da condenação internacional a suas ações, o governo sírio vem sobrevivendo por meio de uma combinação de repressão brutal e de apoio político de Moscou. Juntamente com a China, a Rússia bloqueou por duas vezes condenações da ONU e ações punitivas contra o regime.

Reunidos em Pequim nesta quarta-feira, os presidentes russos, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao, reiteraram sua forte oposição a uma intervenção internacional ou a esforços de mudança de regime no país árabe. "Ambos os lados firmemente se opõem a solucionar a crise síria por meio de intervenção militar estrangeira ou à promoção de uma 'mudança de regime' forçada no Conselho de Segurança da ONU ou por outros meios", disseram os dois líderes em uma declaração conjunta.

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Ativistas dizem que a repressão de Assad contra o levante antigoverno deixou 13 mil mortos desde março de 2011. Um ano depois do início da revolta, a ONU estimou o número de mortos em mais de 9 mil , mas centenas morreram desde então.

Na esperança de conseguir uma estratégia de transição política, Hillary se reúne na noite desta quarta em Istambul com autoridades europeias, turcas e árabes. A última negociação concentrou-se em um plano similar ao que possibilitou o afastamento, no ano passado, do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, cuja renúncia possibilitou a seu vice-presidente formar um governo interino .

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Presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao, conversam durante encontro em Pequim, China (05/06)

Mas Assad rejeitou tais propostas, e os EUA e seus aliados ainda têm de persuadir o Kremlin a parar de apoiar o líder sírio. Em dias recentes, Hillary tentou abrir a porta para um acordo com a Rússia, afirmando que a saída de Assad do poder era um resultado necessário de qualquer transição política, mas não necessariamente uma "precondição".

A nuance sugere que os EUA tentam permitir que Assad se agarre ao poder durante parte de uma mudança estruturada do regime. Mas o governo também vem deixando claro que a eventual saída de Assad deve ser acordada entre todas as partes como um dos caminhos da transição e que não pode aceitar as ideias russas sobre promover uma reforma ou um grande diálogo na Síria como substitutos para uma verdadeira mudança política.

Mudança de gabinete na Síria

Em meio à pressão externa, Assad anunciou nesta quarta-feira que o atual ministro da Agricultura, Riad Hijab, terá a responsabilidade de formar um novo governo após as eleições legislativas de 7 de maio, que estabeleceram um novo Parlamento. A votação foi considerada uma "farsa" pela oposição e pela comunidade internacional.

Hijab, 46 anos, é natural de Deir Ezzor, leste da Síria. Com doutorado em Engenharia Agrária, ele é ministro da Agricultura desde abril de 2011. Hijab substitui como chefe do Executivo Adel Safar, que fora designado em 3 de abril de 2011.

Essa é a segunda remodelação do governo na Síria desde o início dos protestos contra o regime. O último primeiro-ministro, Safar, recebeu a incumbência de empreender as reformas prometidas pelo regime para aplacar os protestos.

*Com AP, AFP e EFE

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