Em retaliação, Síria diz que diplomatas estrangeiros não são bem-vindos

Governo sírio declara 17 representantes 'persona non grata' no mesmo dia em que aceita entrada de agências humanitárias internacionais em quatro províncias

iG São Paulo | - Atualizada às

A Síria afirmou nesta terça-feira que 17 diplomatas estrangeiros, a maioria americanos e europeus, não são bem-vindos no país. A declaração é uma resposta às expulsões de diplomatas sírios de pelo menos 13 nações, anunciadas na semana passada como protesto contra o massacre de Houla, no qual 108 civis foram mortos.

No mesmo dia em que declarou os diplomatas “persona non grata”, o governo sírio permitiu que a Organização das Nações Unidas (ONU) e agências humanitárias internacionais entrem em quatro províncias do país para atender à população.

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AP
Parentes de Moayad Ghafir, combatente da oposição morto pelas forças de segurança, acompanham seu enterro em Idlib na Síria (04/06)

Apesar de a maior parte dos países atingidos pela declaração do governo sírio já ter retirado seus diplomatas de Damasco, o anúncio é um símbolo do quanto a revolta popular contra o presidente Bashar Al-Assad, que começou em março do ano passado , afetou os laços diplomáticos.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Síria, Jihad Makdissi, afirmou que o país decidiu adotar uma “medida de reciprocidade” conta diplomatas dos Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, França, Itália e Espanha. Vários representantes de Turquia, França, Alemanha, Canadá, Bulgária e Bélgica também foram declarados “persona non grata”.

Em comunicado, o Makdissi tentou mostrar que são os países estrangeiros, e não o governo sírio, que estão impedindo o diálogo. "A República Árabe da Síria ainda acredita na importância do diálogo baseado nos princípios da igualdade e respeito mútuo", afirmou o comunicado. "Esperamos que os países que iniciaram estas medidas (de veto a embaixadores) adotem estes princípios, que permitiriam que as relações voltassem ao normal".

O vice-chanceler Faisal Maqdad disse ao canal de notícias sírio al-Ikhbariya que a decisão do governo buscava encorajar estes países a "corrigirem" suas posições.

ONU

O acordo firmado pelo governo sírio com a ONU permitirá que funcionários de nove agências da ONU e de sete ONGs entrem nas regiões de Daraa, Deir el-Zour, Homs e Idlib.

De acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, comboios com suprimentos entrarão nestes locais nos próximos dias.

“Nas próximas semanas saberemos se esse acordo é um avanço significativo ou não”, afirmou John Ging, funcionário do escritório, em entrevista coletiva em Genebra. De acordo com Ging, o governo sírio prometeu conceder vistos e retirar obstáculos burocráticos que impediram a entrega de ajuda humanitária até agora.

Segundo o funcionário da ONU, pelo menos um milhão de sírios precisam de ajuda humanitária urgente, incluindo manifestantes feridos e famílias que perderam suas casas ou empregos. Além disso, mais de 78 mil refugiados estão sendo ajudados no Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia.

China e Rússia

Também nesta terça-feira, o governo da China destacou sua afinidade com o governo da Rússia em relação à Síria, no mesmo dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, chegou a Pequim para uma cúpula de segurança.

"Ambos os lados se opõem à intervenção externa na Síria e se opõem à mudança de regime pela força", disse Liu Weimin, porta-voz da chancelaria chinesa.

"Acreditamos que a questão síria deve ser adequadamente tratada por meio de diálogo. Isso é do interesse fundamental do povo sírio. China e Rússia têm desempenhado, à sua maneira, um papel positivo na questão síria”, completou.

China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, já vetaram duas tentativas ocidentais de aprovar uma resolução contra Assad em decorrência da repressão a manifestações pró-democracia nos últimos 15 meses.

Com AP e Reuters

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