Rebeldes da Síria abandonam cessar-fogo previsto em plano de Annan

Decisão é um golpe a plano de paz elaborado por enviado especial da ONU, que secretário-geral vê como central para solucionar conflito

iG São Paulo |

Os rebeldes sírios não estão mais comprometidos com o plano de paz apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que não conseguiu pôr fim à violência e lançaram ataques a forças do governo para "defender nosso povo", anunciou um porta-voz nesta segunda-feira.

Vídeo:  Imagens mostram combates em cidade síria controlada pela oposição

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Parentes de soldado de Exército Livre da Síria morto durante confrontos com atiradores do regime choram durante seu enterrou nos arredores de Idlib

"Decidimos encerrar nosso compromisso com isso (o plano) e, a partir dessa data (sexta-feira), começamos a defender nosso povo", disse à Reuters o major Sami al-Kurdi, porta-voz para o Exército Livre da Síria, referindo-se ao prazo estabelecido para o presidente Bashar al-Assad acabar com a violência ou enfrentar as consequências.

Kurdi também disse que os rebeldes querem que a missão de observação da ONU no país seja transformada em uma "missão de aplicação da paz" ou que a comunidade internacional tome decisões "corajosas" e imponha uma zona de exclusão aérea e uma zona de proteção para ajudar a derrubar Assad.

O levante de 15 meses contra o governo de Assad (há 11 anos no poder) começou com protestos pacíficos, mas a Síria se aproxima de uma guerra civil , enquanto os rebeldes lutam contra a repressão violenta do governo.

A ONU enviou cerca de 300 militares desarmados à Síria para que observassem a implementação do plano de paz proposto pelo enviado internacional Kofi Annan, com o objetivo de pôr fim à violência. Após uma pausa inicial nos confrontos em 12 de abril, porém, o cessar-fogo não se manteve.

Kurdi afirmou que ao menos 2 mil foram mortos na Síria depois que o cessar-fogo supostamente entrou em vigor. O massacre em 25 de maio de ao menos 108 civis , incluindo 49 crianças e 34 mulheres , na região de Houla, na Província de Homs, provavelmente foi o golpe fatal ao cessar-fogo.

Annan pediu várias vezes que o governo e os rebeldes depusessem suas armas e trabalhassem com os observadores desarmados para consolidar o cessar-fogo. 

"Retomamos nossos ataques, mas estamos fazendo ataques defensivos, o que significa que atacamos apenas postos de vigilância nas cidades e não desferimos ataques em campos ou postos maiores", disse Kurdi à Reuters.

O general Mustafa al-Sheikh, ex-comandante do Exército que agora lidera o conselho militar rebelde, disse à Reuters por telefone da Turquia que o plano de Annan é "natimorto".

Ele pediu pela formação de uma coalizão militar internacional para lançar ataques a postos do Exército leais a Assad, similares aos ataques aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Líbia, que permitiu que as forças rebeldes em terra colocassem um fim ao governo de Muamar Kadafi, executado em outubro.

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Cidadãos antigoverno observam tanque sírio danificado durante confrontos entre rebeldes e forças de Bashar al-Assad em Ariha, na Província de Idlib

"A demora da comunidade internacional em tomar uma decisão firme para formar uma coalizão militar fora do Conselho de Segurança para resolver o conflito levará a região a uma espiral de violência e a mortes sectárias", afirmou.

O secretário-geral da ONU, Ban-Ki-moon, entretanto, disse mais cedo nesta segunda-feira que o plano de paz de Annan permanecia central para a resolução do conflito na Síria.

De acordo com a rede de grupos antigoverno Comitês de Coordenação Local, a violência nesta segunda-feira deixou 31 mortos em todo o país, especialmente pela repressão das forças de segurança. Mais cedo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, cuja base fica no Reino Unido, disse que ao menos 80 soldados foram mortes por rebeldes do ELS em Damasco e na Província de Idlib. As informações não puderam ser confirmadas por fontes independentes.

*Com Reuters e EFE

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