Ex-premiê diz que vitória da Irmandade levará Egito à 'idade das trevas'

Um dia após julgamento de Mubarak, Ahmed Shafiq sobe o tom contra rival na eleições presidenciais, Mohammed Mursi

iG São Paulo |

O candidato à presidência do Egito Ahmed Shafiq atacou neste domingo seu rival no segundo turno da eleição , Mohammed Mursi, dizendo que uma vitória da Irmandade Muçulmana levaria o país de volta à ‘idade das trevas’. Shafiq foi o último primeiro-ministro nomeado pelo ex-presidente Hosni Mubarak , condenado neste sábado à prisão perpétua pela morte de manifestantes na revolta popular que o forçou a renunciar  no ano passado.

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O candidato à presidência do Egito Ahmed Shafiq concede entrevista no Cairo

“Eu represento o Estado civil. A Irmandade Muçulmana representa a escuridão e o segredo. Ninguém sabe o que eles estão fazendo”, afirmou Shafiq, em entrevista coletiva. “Eu represento o diálogo e a tolerância. Eles querem monopolizar o poder. Eles querem nos levar não há 30 anos atrás (quando Mubarak chegou ao poder), mas, sim, à idade das trevas.”

"Eu represento um passo adiante, e eles representam um passo para trás", acrescentou Shafiq. “Mulheres do Egito, eu não permitirei que os poderes do extremismo levem-nas de volta à idade das trevas.”

Os comentários de Shafiq refletiram o quão polarizada se tornou a disputa. Para os egípcios que votaram em candidatos centristas no primeiro turno da eleição, o resultado não poderia ser pior. Muitos deles hesitam tanto em eleger um conservador islâmico quanto em ceder o poder a um homem que, assim como Mubarak, tem um passado militar.

A votação ocorrerá em 16 e 17 de junho. O caminho para as eleições foi marcado por violência, em que vários dos escritórios de campanha de Shafiq foram atacados e muitos manifestantes foram às ruas para protestar contra ambos os candidatos.

Morsi, por sua vez, aproveitou o fim de semana para tentar ganhar votos em meio ao impopular veredicto contra Mubarak. Milhares de manifestantes foram às ruas do Cairo e de outras cidades condenar o fato de o ex-presidente não ter sido condenado à pena de morte, além de sua absolvição em outra acusação, a de corrupção. Os dois filhos de Mubarak e seis chefes de polícia também foram absolvidos.

No sábado, Morsi foi à Praça Tahrir, no Cairo, epicentro dos protestos contra Mubarak, mostrar solidariedade aos manifestantes. No domingo, teve uma reunião com parentes de egípcios mortos no levante.

Com AP e Reuters

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