Patriota: Expulsar diplomatas sírios é ação unilateral e não reduz violência

Chanceler do Brasil descarta medida adotada por outros países do Ocidente dizendo que plano de Annan é aposta mais racional para Síria

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O governo brasileiro considera a situação na Síria "muito preocupante" pela escalada da violência, mas ainda assim o ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota defende que a melhor aposta para acabar com os seguidos massacres ainda é continuar com o plano do enviado especial da ONU e da Liga Árabe ao país árabe, Kofi Annan.

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Desde o ano passado, os manifestantes contrários ao regime do presidente Bashar al-Assad têm se envolvido em conflitos cada vez mais sangrentos com forças de segurança sírias.

Segundo a ONU, a violência causada no país deixou mais de 9 mil mortos desde o início da rebelião antigoverno, em março de 2011, inspirada por outras revoltas da Primavera Árabe em todo o Oriente Médio e norte da África. O regime de Assad, que se diz vítima de terroristas patrocinados por governos estrangeiros, afirma que mais de 2,6 mil soldados e agentes de segurança foram mortos no período.

"(A situação na Síria) está evoluindo para um conflito sectário com alto nível de violência", disse Patriota nesta quinta-feira durante o Reuters Latin American Investment Summit. "No momento, creio que a aposta mais racional é a do plano Kofi Annan", acrescentou.

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O plano de Annan tem seis pontos que incluem discussões políticas e retirada de armas pesadas e tropas de centros populacionais, acesso livre de assistência humanitária, libertação de prisioneiros, liberdade de circulação e permissão para entrada e saída de jornalistas.

O chanceler brasileiro, porém, disse que nas próximas horas ou dias o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas pode adotar alguma outra estratégia, dependendo do relato que Annan, ex-secretário-geral da ONU, fará aos membros permanentes do órgão. "O tempo diplomático às vezes não consegue se antecipar a situações de crise e de violência e que levam à morte e ao sofrimento", admitiu Patriota.

Desde março, a ONU tem tentado negociar com a Síria o plano de Annan e desde 12 de abril vigora um frágil cessar-fogo que não conseguiu encerrar os confrontos. O ministro brasileiro ponderou, porém, que as alternativas à saída negociada têm mais risco. "Ações precipitadas que não sejam concebidas dentro de uma estratégia racional, coerente, podem inflamar mais ainda uma situação que já está exacerbada de tensão", explicou.

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Patriota acredita que não haverá o encaminhamento para uma saída militar no caso sírio. "Vejo no caso da Síria uma resistência grande dos membros permanentes do Conselho de Segurança de contemplar qualquer intervenção armada. Isso até tem sido dito pelos Estados Unidos tendo em vista a alta complexidade do Estado sírio", afirmou.

Expulsão

O ministro brasileiro também se mostrou contrário ao procedimento adotado por alguns países nos últimos dias de expulsar missões diplomáticas sírias em represália ao recente massacre na região de Houla, que deixou 108 mortos .

"A expulsão do embaixador não vai ajudar a reduzir a violência", disse. "Elas (as expulsões) respondem a impulsos unilaterais, não é objeto de nenhuma decisão consensual ou multilateral das Nações Unidas", acrescentou.

AP
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Patriota também reiterou a posição brasileira na questão dos direitos humanos, rebatendo as insinuações contra o Brasil, que resistiu à adoção das sanções impostas à Líbia antes da derrubada e morte do ex-líder Muamar Kadafi .

"O Brasil quando favorece o diálogo, quando favorece a diplomacia, está favorecendo que a violência não se instaure. E que se procurem soluções sem violência, sem morte", disse.

"Se for o caso, em última instância, é até plausível recorrer a atitudes desse gênero. Mas as decisões têm de ser legítimas, ou seja têm de ser tomadas pelo Conselho de Segurança. E elas também têm de ser monitoradas para que não haja desvios de curso de ação", acrescentou, referindo-se mais especificamente à questão líbia.

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