ONU alerta para 'catastrófica guerra civil' na Síria em meio a novo ataque em Houla

Ban Ki-moon diz que missão observadora não está no país para 'testemunhar atrocidades' e 'assistir ao assassinato de inocentes'

iG São Paulo |

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, alertou nesta quinta-feira para o risco de uma “catastrófica guerra civil na Síria”, enquanto ativistas denunciaram novos ataques na região de Houla, onde um massacre no fim de semana deixou 108 mortos e provocou uma nova onda de condenação internacional contra o regime do presidente Bashar Al-Assad.

“Massacres de civis como o que vimos no fim de semana podem levar a Síria a uma catastrófica guerra civil da qual nunca poderá se recuperar”, disse Ban, durante pronunciamento em Istambul, na Turquia. “Quero deixar algo bem claro: a ONU não foi à Síria apenas para ver o assassinato de inocentes. Não estamos lá para testemunhar atrocidades indescritíveis”, completou, se referindo à missão observadora que está no país para tentar verificar a implementação de um plano de paz que inclui um cessar-fogo.

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AP
Mulher síria carrega filho baleado ao cruzar a fronteira para o Líbano (30/05)

Na quarta-feira, observadores da ONU confirmaram a descoberta de 13 homens mortos por disparos perto da cidade de Deir al-Zour, no leste do país. Com as mãos atadas atrás das costas, as vítimas vendadas aparentemente foram executadas com tiros nas cabeças. Vários incidentes violentos foram registrados nos últimos dias em outras regiões, como na fronteira da Síria com o Líbano.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de ativistas com sede no Reino Unido, e os Comitês Locais de Coordenação, outra organização que reúne opositores, disseram que forças de segurança usaram metralhadoras e morteiros em um novo ataque em Houla nesta terça-feira.

A ofensiva deixou um morto e levou muitos moradores a fugir do vilarejo, com medo de um novo massacre como o do fim de semana, que matou 49 crianças e 34 mulheres . O massacre foi um dos episódios mais violentos registrados na Síria desde que a revolta contra Assad começou, há mais de um ano.

Em protesto, países como Estados Unidos, França, Alemanha e vários outros expulsaram diplomatas sírios . A Rússia, principal aliada de Damasco, culpou tanto o governo quanto os rebeldes pela violência em Houla.

Nesta quinta-feira, durante um discurso para estudantes da Dinamarca, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que a política russa contribuirá para um cenário de guerra civil na Síria. 

“(Os russos) me dizem que não querem ver uma guerra civil. Digo a eles que sua política vai contribuir para uma guerra civil”, afirmou Hillary.

Questionada sobre a possibilidade de uma ação militar na Síria, Hillary disse que “a cada dia o argumento para que ela exista se torna mais forte”, mas afirmou que uma ofensiva desse tipo teria de contar com apoio internacional, inclusive da Rússia e da China, que prometeram vetar qualquer resolução da ONU que preveja ações militares.

Também nesta quinta-feira, a TV estatal da Síria disse que 500 presos envolvidos em “eventos recentes” foram libertados, sem dar mais detalhes. O governo sírio negou responsabilidade pelo massacre de Hula e disse que o ataque foi realizado por rebeldes – a quem chama de “terroristas” – que tentam impedir o processo de paz e provocar uma intervenção militar internacional.

Com AP e AFP

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