Hillary diz que Rússia contribuirá para guerra civil na Síria

Secretária de Estado diz que ação militar no país seria complexa e precisaria de amplo apoio; embaixadora americana critica venda de armas russas à Síria

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quinta-feira que a política da Rússia contribuirá para uma guerra civil na Síria, mas reforçou que uma intervenção militar no país teria de contar com amplo apoio internacional, incluindo dos governos russo e chinês, principais aliados do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

“Os russos me dizem que não querem ver uma guerra civil. Venho dizendo a eles que sua política contribuirá para uma guerra civil”, afirmou Hillary durante encontro com estudantes em Copenhagen, na Dinamarca.

Leia também: Secretário-geral da ONU alerta para 'catastrófica guerra civil' na Síria

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A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, conversa com estudantes dinamarqueses

Patriota: Expulsar diplomatas sírios é ação unilateral e não reduz violência

Posteriormente, a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, criticou a Rússia pelas informações de que o país continua fornecendo armamento para a Síria apesar da repressão violenta contra o levante popular. "Obviamente não é tecnicamente uma violação do direito internacional, já que não há um embargo armamentista", afirmou. "Mas é repreensível que armas continuem a fluir para um regime que está usando uma força tão terrível e desproporcional contra o seu próprio povo."

De acordo com a entidade de direitos humanos Human Rights First, chegou à Síria no fim de semana passado um navio carregado de material bélico enviado por Moscou. "Bancos de dados da navegação atualizados hoje mostram que o (navio) Professor Katsman de fato atracou em 26 de maio de 2012 no porto de Tartus (Síria), antes de seguir para Pireus, na Grécia", disse à Reuters a ativista Sadia Hameed.

Um diplomata ocidental disse à Reuters que o carregamento incluía armas pesadas, mas não ficou imediatamente claro qual tipo de arma foi entregue. Um porta-voz da missão síria na ONU disse que irá examinar a questão.

Na Dinamarca, Hillary foi questionada sobre a possibilidade de uma ação militar na Síria e disse que “a cada dia o argumento para que ela exista se torna mais forte”, mas afirmou que uma ofensiva desse tipo teria de contar com apoio internacional, inclusive da Rússia e da China, que prometeram vetar qualquer resolução da ONU que preveja ações militares.

Em seu discurso, Hillary afirmou que uma ofensiva na Síria seria mais complexa do que a realizada no ano passado na Líbia , que culminou na deposição e morte do líder Muamar Kadafi . Segundo a secretária, a oposição síria não tem a mesma unidade observada na revolta líbia. Além disso, a defesa aérea de Assad é mais sofisticada e não há consenso dentro da Liga Árabe sobre a situação.

Também nesta quinta-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, alertou para o risco de uma “ catastrófica guerra civil na Síria ”, enquanto ativistas denunciaram novos ataques na região de Houla, onde um massacre no fim de semana deixou 108 mortos e provocou uma nova onda de condenação internacional contra o regime de Assad.

“Massacres de civis como o que vimos no fim de semana podem levar a Síria a uma catastrófica guerra civil da qual nunca poderá se recuperar”, disse Ban, durante pronunciamento em Istambul, na Turquia.

“Quero deixar algo bem claro: a ONU não foi à Síria apenas para ver o assassinato de inocentes. Não estamos lá para testemunhar atrocidades indescritíveis”, completou, se referindo à missão observadora que está no país para tentar verificar a implementação de um plano de paz que inclui um cessar-fogo.

Na quarta-feira, observadores da ONU confirmaram a descoberta de 13 homens mortos por disparos perto da cidade de Deir al-Zour, no leste do país. Com as mãos atadas atrás das costas, as vítimas vendadas aparentemente foram executadas com tiros nas cabeças. Vários incidentes violentos foram registrados nos últimos dias em outras regiões, como na fronteira da Síria com o Líbano.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de ativistas com sede no Reino Unido, e os Comitês Locais de Coordenação, outra organização que reúne opositores, disseram que forças de segurança usaram metralhadoras e morteiros em um novo ataque em Houla nesta terça-feira.

AP
Mulher síria carrega filho baleado ao cruzar a fronteira para o Líbano (30/05)

A ofensiva deixou um morto e levou muitos moradores a fugir do vilarejo, com medo de um novo massacre como o do fim de semana, que matou 49 crianças e 34 mulheres . O massacre foi um dos episódios mais violentos registrados na Síria desde que a revolta contra Assad começou, há mais de um ano.

Em protesto, países como Estados Unidos, França, Alemanha e vários outros expulsaram diplomatas sírios . A Rússia, principal aliada de Damasco, culpou tanto o governo quanto os rebeldes pela violência em Houla.

Com AP, BBC e Reuters

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