Rússia reitera oposição a qualquer intervenção militar na Síria

China também reafirma oposição a opções militares depois de França defender que ideia seja considerada pelo Conselho de Segurança

iG São Paulo |

A Rússia reiterou nesta quarta-feira ser "categoricamente contrária" a uma intervenção estrangeira na Síria, afirmando acreditar que qualquer nova medida adotada pelo Conselho de Segurança da ONU contra Damasco seria "prematura", disse o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Gennady Gatilov.

Retaliação: Países ocidentais expulsam diplomatas sírios em protesto contra massacre

AP
Imagem divulgada por ativistas diz mostrar corpos de vítimas de massacre em Houla (26/05)
Como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia tem direito a veto no órgão, e suas declarações são uma frustração para as esperanças de uma nova iniciativa na ONU depois do ultraje internacional causado pelo massacre de 108 pessoas - incluindo 49 crianças e 34 mulheres - na região de Houla, Província de Homs, na sexta-feira.

"Sempre dissemos que estamos categoricamente contra qualquer ingerência no conflito sírio, porque isso só agravaria a situação e teria consequências imprevisíveis para a Síria e toda a região", declarou Gatilov.

A China, outro país com poder de veto no Conselho de Segurança, também expressou nesta quarta-feira sua oposição a uma intervenção militar estrangeira na Síria e instou a comunidade internacional a seguir apoiando o trabalho de mediação do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan. "A China se opõe a uma intervenção militar na Síria e a uma mudança de regime pela força", disse o porta-voz chinês do Ministério de Relações Exteriores, Liu Weimin.

As declarações de Rússia e China foram feitas um dia depois de o novo presidente francês, François Hollande, ter tido que não excluía uma intervenção armada na Síria para pôr fim à repressão do regime de Bashar al-Assad, desde que fosse coordenada pelo Conselho de Segurança. Nesta quarta-feira, a Austrália também disse que não exclui essa possibilidade .

Em meio ao debate, o governo alemão afirmou não ver razão para especular sobre "opções militares na Síria", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Os EUA continuam contrários a uma ação militar.

Expulsão de diplomatas

Além de reafirmar sua oposição a uma intervenção externa no país, a Rússia qualificou nesta quarta-feira de "contraproducente" a expulsão dos embaixadores de Damasco da maioria dos países ocidentais como protesto pelo massacre de Houla.

Segundo o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores russo, Aleksandr Lukashévich, a medida dificultaria os esforços para a resolução pacífica do conflito por fechar "canais de vital importância para trocar opiniões e influir de maneira construtiva no governo sírio para levá-lo pelo caminho do cumprimento do plano de Kofi Annan".

As expulsões dos embaixadores sírios foram anunciadas por EUA, França, Espanha, Alemanha, Japão, Canadá, Bélgica, Holanda, Japão, Suíça, Bulgária e Reino Unido, enquanto a Austrália e Turquia anunciaram a expulsaram de seu território das missões diplomáticas de Damasco. O Brasil, por enquanto, não planeja adotar medidas contra a diplomacia síria como protesto ao massacre.

Em aparente retaliação às medidas ocidentais, o governo sírio expulsou nesta quarta-feira a encarregada de negócios da embaixada holandesa, a quem deu um prazo de 72 horas para abandonar o país.

Nesta quarta-feira, Rolando Gomez, porta-voz do Conselho de Direitos Humanos da ONU, disse que o órgão realizará uma sessão especial na sexta-feira para discutir o massacre de Houla. O principal organismo de direitos humanos da ONU raramente realiza esse tipo de sessões, mas reuniu-se várias vezes desde o início das revoltas da Primavera Árabe para discutir questões relacionadas à Líbia e à Síria. Suas ações são frequentemente usadas para ajudar os esforços do Conselho de Segurança a demandar uma resposta internacional.

Na semana passada, um painel independente de especialistas da ONU disse que o regime sírio e uma força rebelde cada vez mais organizada estão realizando matanças ilegais e torturando oponente, mas que as forças do governo ainda são responsáveis pela maior parte da violência.

Um cessar-fogo declarado em abril vem sendo violado diariamente por ambos os lados no conflito, enquanto mais de 250 observadores da ONU com base em várias cidades do país tentam monitor o plano de paz de Annan. Nesta quarta-feira, eles informaram ter encontrado 13 corpos, muitos aparentemente de pessoas executadas a tiros, no leste da Síria.

*Com AP, EFE, BBC e AFP

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