ONU confirma descoberta de 13 vítimas executadas a tiros na Síria

Homens com mãos atadas e vendados foram aparentemente mortos com tiros na cabeça; Rússia rejeita intervenção militar em país

iG São Paulo |

Dias depois do massacre de Houla, que deixou 108 mortos na Síria na sexta-feira, observadores da ONU confirmaram nesta quarta-feira a descoberta de 13 homens mortos por disparos perto da cidade de Deir al-Zour, no leste do país. Com as mãos atadas atrás das costas, as vítimas vendadas aparentemente foram executadas com tiros nas cabeças.

Rejeição: Rússia reitera oposição a qualquer intervenção militar na Síria

AP
Imagem de vídeo amador alega mostrar corpos de 13 homens executados a tiros em Deir el-Zour, Síria (29/5)
O chefe da missão da ONU, Robert Mood, disse estar "profundamente perturbado" pelo "ato terrível e imperdoável". Mais de 250 observadores da ONU estão em várias cidades sírias para tentar monitor o plano de paz elaborado pelo enviado especial Kofi Annan, cujo cessar-fogo declarado em abril vem sendo violado diariamente por ambos os lados no conflito.

Na semana passada, um painel independente de especialistas da ONU disse que o regime sírio e uma força rebelde cada vez mais organizada estão realizando matanças ilegais e torturando oponente, mas que as forças do governo ainda são responsáveis pela maior parte da violência que atinge o país desde março do ano passado, quando se iniciou o levante popular contra o regime de Bashar al-Assad.

A informação sobre a nova surgiu surgiu no mesmo dia em que a Rússia e a China voltaram a afastar a perspectiva de uma iniciativa mais forte da comunidade internacional contra Damasco em retaliação pela violência que, segundo a ONU, deixou mais de 9 mil mortos . Na sexta-feira, 49 crianças crianças e 34 mulheres foram mortas entre os 108 massacrados na região de Houla, Província de Homs, na sexta-feira.

O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Gennady Gatilov, reiterou nesta quarta-feira que a Rússia é "categoricamente contra" a uma intervenção estrangeira na Síria , afirmando acreditar que qualquer nova medida adotada pelo Conselho de Segurança da ONU contra Damasco seria "prematura". Como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia tem direito a veto no órgão juntamente com EUA, China, Reino Unido e França.

"Sempre dissemos que estamos categoricamente contra qualquer ingerência no conflito sírio, porque isso só agravaria a situação e teria consequências imprevisíveis para a Síria e toda a região", declarou Gatilov.

A China também expressou nesta quarta-feira sua oposição a uma intervenção militar e instou a comunidade internacional a seguir apoiando o trabalho de mediação de Annan. "A China se opõe a uma intervenção militar na Síria e a uma mudança de regime pela força", disse o porta-voz chinês do Ministério de Relações Exteriores, Liu Weimin.

As declarações de Rússia e China foram feitas um dia depois de o novo presidente francês, François Hollande, ter tido que não excluía uma intervenção armada na Síria para pôr fim à repressão do regime de Bashar al-Assad, desde que fosse coordenada pelo Conselho de Segurança. Nesta quarta-feira, a Austrália também disse que não exclui essa possibilidade .

Em meio ao debate, o governo alemão afirmou não ver razão para especular sobre "opções militares na Síria", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Os EUA continuam contrários a uma ação militar.

Expulsão de diplomatas

Além de reafirmar sua oposição a uma intervenção externa no país, a Rússia qualificou nesta quarta-feira de "contraproducente" a expulsão dos embaixadores de Damasco da maioria dos países ocidentais como protesto pelo massacre de Houla.

Retaliação: Países ocidentais expulsam diplomatas sírios em protesto contra massacre

Segundo o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores russo, Aleksandr Lukashévich, a medida dificultaria os esforços para a resolução pacífica do conflito por fechar "canais de vital importância para trocar opiniões e influir de maneira construtiva no governo sírio para levá-lo pelo caminho do cumprimento do plano de Kofi Annan".

AP
Imagem divulgada por ativistas diz mostrar corpos de vítimas de massacre em Houla (26/05)
As expulsões dos embaixadores sírios foram anunciadas por EUA, França, Espanha, Alemanha, Japão, Canadá, Bélgica, Holanda, Japão, Suíça, Bulgária e Reino Unido, enquanto a Austrália e Turquia anunciaram a expulsaram de seu território das missões diplomáticas de Damasco. O Brasil, por enquanto, não planeja adotar medidas contra a diplomacia síria como protesto ao massacre.

Em aparente retaliação às medidas ocidentais, o governo sírio expulsou nesta quarta-feira a encarregada de negócios da embaixada holandesa, a quem deu um prazo de 72 horas para abandonar o país.

Nesta quarta-feira, Rolando Gomez, porta-voz do Conselho de Direitos Humanos da ONU, disse que o órgão realizará uma sessão especial na sexta-feira para discutir o massacre de Houla. O principal organismo de direitos humanos da ONU raramente realiza esse tipo de sessão, mas reuniu-se várias vezes desde o início das revoltas da Primavera Árabe para discutir questões relacionadas à Líbia e à Síria. Suas ações são frequentemente usadas para ajudar os esforços do Conselho de Segurança a demandar uma resposta internacional.

*Com AP, EFE, BBC e AFP

    Leia tudo sobre: síriaassadmundo árabeprimavera árabehomsmassacre de houla

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG