Países ocidentais expulsam diplomatas sírios em protesto contra massacre

França, EUA, Reino Unido e outras nações pressionam Síria por violência em Houla, onde ONU denunciou execuções sumárias

iG São Paulo |

Governos de vários países anunciaram a expulsão de diplomatas sírios nesta terça-feira, em protesto contra o massacre das forças de segurança da Síria em Houla, que deixou 108 mortos . A decisão foi tomada pelos líderes da França, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Austrália, Holanda e Canadá.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) indicou que a maior parte das vítimas de Houla foi executada sumariamente, e no mesmo dia em que o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, participou de uma reunião com o presidente Bashar Al-Assad, para tentar salvar o plano de paz que tenta solucionar a crise no país.

Leia também: Annan condena massacre em Houla, que deixou 108 mortos

AP
Imagem de vídeo publicado por ativistas na internet diz mostrar criança correndo durante massacre em Houla, na Síria (25/05)

Líderes mundiais condenaram o massacre, que provocou uma nova onda de pressão internacional contra Assad. Ao anunciar a expulsão do embaixador sírio em Paris, o governo francês disse que o regime “assassino” de Assaf ameaça a segurança regional.

Segundo o presidente da França, François Hollande, a decisão de expulsar diplomatas foi tomada após discussões com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ele disse que a ação foi “coordenada com parceiros”, mas não deu detalhes.

Além do governo francês, Alemanha, Itália e Espanha também expulsaram os embaixadores sírios. O Canadá expulsou todos os diplomatas da Síria, enquanto Reino Unido, Austrália e EUA expulsaram diplomatas de alto escalão. A Síria não tem embaixador nos EUA desde o ano passado.

“Esse é o modo mais eficaz de mandarmos uma mensagem de revolta em relação ao que está acontecendo na Síria”, disse o chanceler australiano, Bob Carr.

Em comunicado, ele chamou o massacre em Houla de “crime brutal e odioso” e disse que o governo australiano não se relacionará com o da Síria se o país não se comprometer com o cessar-fogo proposto por Annan.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, afirmou que a Alemanha e seus aliados esperam que a mensagem seja ouvida em Damasco.

“O regime sírio é responsável pelos terríveis acontecimentos em Houla”, disse Westerwelle. “E mesmo antes disso, já estava claro que a Síria não tem futuro com Assad no poder. Ele precisa dar espaço para uma mudança pacífica.”

Execuções sumárias

Nesta terça-feira, o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, afirmou que, segundo investigações iniciais, menos de 20 das 108 vítimas do massacre foram mortas por disparos de artilharia ou tanques.

“A maior parte das vítimas foi sumariamente executada em dois incidentes distintos”, afirmou Colville, lembrando que entre os mortos estão 49 crianças e 34 mulheres. "Está claro que um fato absolutamente abominável aconteceu em Houla. Famílias inteiras foram assassinadas em suas casas.”

De acordo com as investigações, muitas vítimas foram baleadas à queima-roupa ou atacadas com faca. O governo sírio negou responsabilidade e disse que o ataque foi realizado por rebeldes – a quem chama de “terroristas” – que tentam impedir o processo de paz e provocar uma intervenção militar internacional.

A Rússia, principal aliada da Síria, culpou os dois lados pelo massacre . Nesta terça-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov, expressou a preocupação com a possibilidade de “alguns países” usarem o massacre de Houla como “pretexto para defender ações militares”.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, comemorou as expulsões de diplomatas sírios e pediu uma resolução que autorize o uso da força contra o regime.

Com AP e Reuters

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