Annan tenta salvar plano de paz em reunião com presidente sírio

Enviado especial expressa a Assad 'grave preocupação' com violência; líder sírio diz que plano de paz só funcionará com fim de 'terrorismo'

iG São Paulo |

O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, participou nesta terça-feira de uma reunião com o presidente sírio, Bashar Al-Assad, para tentar salvar um plano de paz que tenta pôr fim à crise no país.

Leia também: Países ocidentais expulsam diplomatas sírios em protesto contra massacre

AP
O enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, participa de reunião com o presidente sírio, Bashar Al-Assad

De acordo com o porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi, o enviado expressou sua “grave preocupação” quanto ao massacre em Houla, que deixou 108 mortos , e quanto a outros episódios de violência. O enviado também afirmou que o plano de paz negociado por ele e acordado por ambas as partes do conflito não funcionará sem “ações corajosas” para acabar com a violência. Ele também cobrou a libertação de prisioneiros.

Em resposta, segundo a TV oficial síria, Assad afirmou a Annan que o êxito de seu plano de paz depende do "fim do terrorismo". "O êxito do plano depende do fim do terrorismo, daqueles que o apoiam e do contrabando de armas", disse durante uma reunião em Damasco. O governo sírio acusa países como Arábia Saudita e Catar de enviar armas aos insurgentes do Exército Sírio Livre (ESL, formado por desertores das Forças Armadas).

O governante sírio disse que supostos grupos terroristas aumentaram ultimamente suas ações assassinando e sequestrando cidadãos sírios, assim como atacando propriedades públicas e privadas. "Os grupos terroristas armados intensificaram claramente suas operações recentemente em diferentes regiões sírias e mataram e sequestraram civis." 

Expulsão de diplomatas

Nesta terça-feira, governos de vários países anunciaram a expulsão de diplomatas sírios em protesto contra o massacre. A decisão foi tomada pelos líderes da França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Austrália e Canadá.

Segundo o presidente da França, François Hollande, a decisão de expulsar diplomatas foi tomada após discussões com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ele disse que a ação foi “coordenada com parceiros”, mas não deu detalhes.

Além do governo francês, Alemanha, Itália e Espanha também expulsaram embaixadores sírios. O Canadá expulsou todos os diplomatas da Síria, enquanto Reino Unido e Austrália expulsaram diplomatas de alto escalão.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que uma investigação da ONU indicou que a maior parte das vítimas de Houla foi executada sumariamente. Segundo o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, investigações iniciais indicam que menos de 20 das 108 vítimas do massacre foram mortas por disparos de artilharia ou tanques.

“A maior parte das vítimas foi sumariamente executada em dois incidentes distintos”, afirmou Colville, lembrando que entre os mortos estão 49 crianças e 34 mulheres . "Está claro que um fato absolutamente abominável aconteceu em Houla. Famílias inteiras foram assassinadas em suas casas.”

De acordo com as investigações, muitas vítimas foram baleadas à queima-roupa ou atacadas com faca. O governo sírio negou responsabilidade e disse que o ataque foi realizado por rebeldes – a quem chama de “terroristas” – que tentam impedir o processo de paz e provocar uma intervenção militar internacional.

A Rússia, principal aliada da Síria, culpou os dois lados pelo massacre . Nesta terça-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov, expressou a preocupação com a possibilidade de “alguns países” usarem o massacre de Houla como “pretexto para defender ações militares”.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, comemorou as expulsões de diplomatas sírios e pediu uma resolução que autorize o uso da força contra o regime.

Com AP, AFP, Reuters e EFE

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