Rússia: Rebeldes também são culpados por massacre na Síria

Chanceler russo afirma que os dois lados do conflito 'tiveram algo a ver' com morte de 108 civis em Houla

iG São Paulo |

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse nesta segunda-feira que tanto o governo quanto os rebeldes sírios são culpados pelas mortes de 108 civis em Houla . A declaração foi feita um dia depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), do qual a Rússia faz parte, condenar o regime da Síria pelo massacre.

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AP
Imagem divulgada por ativistas diz mostrar corpos de vítimas de massacre em Houla (26/05)

“Obviamente os dois lados tiveram algo a ver com a morte de pessoas inocentes, inclusive muitas mulheres e crianças. Essa área é controlada por rebeldes, mas também está cercada por tropas governamentais”, afirmou Lavrov em Moscou, após reunião com o chanceler britânico, William Hague. “A culpa deve ser determinada objetivamente. Ninguém está dizendo que o governo não é culpado, e ninguém está dizendo que os militantes armados não são culpados.

Lavrov disse não ter dúvidas de que as forças de segurança usaram artilharia e tanques para atacar Houla, um conjunto de vilarejos próximo a Homs, um dos principais redutos da oposição. Ele acrescentou que muitos dos corpos encontrados têm sinais de que as vítimas foram baleadas à queima-roupa ou torturadas.

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O ministro britânico afirmou que o colega russo “tinha razão” em conclamar todas as partes a acabar com a violência. “Não estamos dizendo que o regime do presidente Bashar Al-Assad é responsável por toda a violência na Síria, embora seja o principal responsável”, afirmou Hague, reforçando que o Reino Unido quer a renúncia de Assad.

Kofi Annan

Os ministros russo e britânico fizeram um apelo por maiores esforços para a implementação do plano de paz negociado pelo enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan. “Nós não apoiamos o governo sírio, apoiamos o plano de Kofi Annan”, disse Lavrov.

Annan chegou a Damasco nesta segunda-feira para reuniões com Assad e outras autoridades. “Estou pessoalmente comovido e horrorizado com os acontecimentos dos últimos dias”, disse Annan, em referência ao massacre de Houla. Ele fez um apelo para que “todas as pessoas com armas” ajudem a acabar com a violência.

Também nesta segunda-feira, a China condenou a morte de civis em Houla e fez um apelo pelo fim da violência, sem indicar qualquer mudança em sua estratégia para a Síria. Assim como a Rússia, a China vetou duas resoluções da ONU contra Assad. "(Pequim) está profundamente chocada pelo alto número de civis mortos", o porta-voz da Chancelaria chinesa, Liu Weimin.

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O massacre em Houla provocou protestos de milhares de ativistas. Segundo a ONU, 49 crianças e 34 mulheres estão entre os mortos.

O embaixador da Síria na ONU alegou que a decisão do Conselho de Segurança é baseada em um "tsunami de mentiras" e atribuiu a culpa pelas mortes a "terroristas".

Com AP e BBC

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