Governo sírio nega responsabilidade sobre massacre de Houla

ONU confimou 92 mortos, incluindo 32 crianças, após ataque que o atingiu o centro do País. Damasco diz que ato é de "grupo terrorista"

iG São Paulo |

Reuters
Porta-voz Jihad Makdesi durante coletiva de imprensa neste domingo em Damasco, na Síria
O governo de Damasco rejeitou neste domingo qualquer responsabilidade sobre o massacre de Houla, que matou 90 pessoas (incluindo 32 crianças) na sexta-feira passada , no centro da Síria. Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Jihad Makdesi, culpou supostos grupos terroristas.

"Mulheres, crianças e idosos foram mortos a tiros. Essa não é a marca do heróico Exército sírio", disse Makdesi. O Ministério de Exteriores anunciou ainda a criação de um comitê militar para investigar os fatos, um dia antes de o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, visitar o país.

"Nós negamos categoricamente a responsablidade das nossas forças pelo massacre", disse Makdesi, acrescentando que a Síria tem sido submetida a um "tsunami de mentiras".

O mais violento: ONU confirma 92 mortos, incluindo 32 crianças, em massacre na Síria

As mortes causaram indignação internacional. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que após o "pavoroso massacre", o regime do presidente Bashar al-Assad, baseado em "assassinato e medo", precisa chegar ao fim. Em uma declaração divulgada no sábado (26), ela disse que "aqueles que cometeram essa atrocidade precisam ser identificados e responsabilizados."

O ministro do exterior britânico, William Hague, pediu a realização de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU esta semana e disse estar conversando com aliados a respeito de "uma dura resposta internacional". "Nossa prioridade número um é estabelecer os detalhes deste terrível crime e agir rapidamente para garantir que os responsáveis sejam identificados e punidos."

Leia também: Oposição síria pede ajuda à ONU após matança

O chanceler britânico disse que ele iria pressionar a Rússia, maior aliado do regime sírio, durante uma visita a Moscou, que tem início neste domingo. Ele escreveu em seu Twitter: "Pediremos à Rússia para apoiar uma rápida e inequívoca pressão no regime Assad e responsabilização pelos crimes."

O chefe da missão da ONU, o general norueguês Robert Mood, afirmou que o massacre em Houla foi "indiscriminado e imperdoável". O chanceler francês Laurent Fabius anunciou que estava fazendo acordos imediatos para que seja estabelecida uma reunião em Paris do grupo Amigos da Síria, que inclui nações ocidentais e árabes. China e Rússia não participam do grupo por terem impedido a introdução de medidas punitivas da ONU contra o governo de Bashar al-Assad.

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Agente da ONU conversa com vítimas ao lado de crianças mortas no massacre de Houla (26/05)

A União Europeia, Liga Árabe, França e Alemanha também condenaram o incidente, enquanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o enviado especial à Síria, Kofi Annan, emitiram uma declaração conjunta na qual condenam as mortes em Houla como uma flagrante violação da lei internacional e exigem que a Síria interrompa imediatamente o uso de armas pesadas em áreas populosas.

Violência

O ataque, realizado após manifestações, é considerado um dos mais sangrentos desde o início da revolta contra o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, em março do ano passado. A cidade de Houla, na província de Homs, na região central do país, foi atingida por bombardeios das forças armadas sírias.

Ativistas dizem que algumas das vítimas morreram no ataque, enquanto outras foram sumariamente executadas por milícias ligadas aos governo, conhecidas como "shabiha". As autoridades sírias creditam os ataques a "gangues de terroristas armados".

Plano de paz

Em abril, Damasco prometeu implementar um plano de paz, negociado pelo enviado especial Kofi Annan, que incluía um cessar-fogo e a retirada de armamentos pesados de áreas urbanas . Mas os confrontos na Síria continuaram apesar da presença de cerca de 250 observadores da ONU.

O grupo de oposição Exército Livre da Síria (ELS) disse que não pode mais se comprometer com a trégua, a não ser que o Conselho de Segurança garanta a proteção de civis. Em uma declaração, o ELS afirmou que se medidas urgentes não forem tomadas, o plano de Annan irá "para o inferno", segundo a agência de notícias AFP.

O grupo diz que as mortes na Síria estão acontecendo "sob o olhar dos observadores da ONU" e pediu que os países "reconheçam o fracasso do plano de Annan". Moradores locais estão furiosos porque os observadores não fizeram nenhuma intervenção para impedir o massacre.

Abu Emad, de Houla, disse ter contactado sete observadores sobre o ataque durante a noite. "Avisamos a eles que um massacre estava sendo cometido naquele momento em Houla por mercenários do regime e eles se recusaram a vir e parar o massacre.

*com EFE, BBC e AFP

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