Conselho de Segurança faz reunião sobre massacre na Síria

Órgão convocou encontro de emergência para discutir ataque a Houla, que deixou mais de 100 mortos, incluindo dezenas de crianças

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência na tarde deste domingo para discutir o recente massacre na cidade de Houla, que deixou mais de 100 mortos, incluindo crianças, e 300 feridos , segundo o chefe dos observadores das Nações Unidas na Síria, general Robert Mood.

Massacre: Número de mortos na Síria passa de 100

Resposta: Governo sírio nega responsabilidade sobre massacre de Houla

Reuters
Agente da ONU conversa com vítimas ao lado de crianças mortas no massacre de Houla (26/05)

O vice-embaixador russo na ONU Alexander Pankin afirmou ao jornalistas, na sua chegada à reunião, que "havia indícios evidentes para crer que a maioria das vítimas fatais foram mortas por facadas ou tiros à queima-roupa."

O Reino Unido e a França haviam proposto a divulgação de um comunicado à imprensa condenando o ataque contra civis e responsabilizando o governo sírio pelo massacre de sexta-feira. Mas a Rússia falou a membros do Conselho que não podia concordar com essa posição antes de ter um relatório de Robert Mood.

A Rússia, então, convocou a reunião de emergência para receber o relatório de Mood e fazer considerações sobre um comunicado do Conselho de Segurança.

Mood disse que 108 pessoas foram mortas no massacre de Houla, incluindo 32 crianças. Além disso, o ataque deixou 300 feridos. Ele acrescentou que os observadores confirmaram, por meio de exame do material bélico encontrado na cena, que projéteis de artilharia e tanques foram disparados.

A Rússia, que considera a Síria sua maior aliada no Oriente Médio, tem usado seu poder de veto no Conselho de Segurança para impedir a aprovação de resoluções contra o governo de Bashar al-Assad. O ataque a Houla foi um dos mais sangrentos eventos desde o início da revolta contra o regime, que teve início em março do ano passado.

Um diplomata do conselho, que falou em condição de anonimato, disse que depois do relatório de Mood, membros do conselho começaram a trabalhar em um texto a ser divulgado na imprensa, que deve seguir a mesma linha daquele divulgado pelo secretário-geral Ban Ki-moon e Kofi Annan, enviado da ONU e da Liga Árabe.

O embaixador britânico da ONU Mark Lyall Grant afirmou que com todas as informações coletadas pelo Reino Unido "fica bastante claro que o massacre em Houla foi provocado pela artilharia e os tanques do governo".

O governo de Damasco rejeitou qualquer responsabilidade sobre o massacre.

Durante coletiva, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Jihad Makdesi, culpou supostos grupos terroristas. "Mulheres, crianças e idosos foram mortos a tiros. Essa não é a marca do heróico Exército sírio", disse Makdesi. O Ministério de Exteriores anunciou ainda a criação de um comitê militar para investigar os fatos, um dia antes de o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, visitar o país.

"Nós negamos categoricamente a responsablidade das nossas forças pelo massacre", disse Makdesi, acrescentando que a Síria tem sido submetida a um "tsunami de mentiras".

As mortes causaram indignação internacional. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que após o "pavoroso massacre", o regime do presidente Bashar al-Assad, baseado em "assassinato e medo", precisa chegar ao fim. Em uma declaração divulgada no sábado (26), ela disse que "aqueles que cometeram essa atrocidade precisam ser identificados e responsabilizados."

A União Europeia, Liga Árabe, França e Alemanha também condenaram o incidente.

AP
Vídeo amador cuja autenticidade nao foi confirmada mostra corpos na cidade de Houla, na Síria

Plano de paz

Em abril, Damasco prometeu implementar um plano de paz, negociado pelo enviado especial Kofi Annan, que incluía um cessar-fogo e a retirada de armamentos pesados de áreas urbanas. Mas os confrontos na Síria continuaram apesar da presença de cerca de 250 observadores da ONU.

O grupo de oposição Exército Livre da Síria (ELS) disse que não pode mais se comprometer com a trégua, a não ser que o Conselho de Segurança garanta a proteção de civis. Em uma declaração, o ELS afirmou que se medidas urgentes não forem tomadas, o plano de Annan irá "para o inferno", segundo a agência de notícias AFP.

O grupo diz que as mortes na Síria estão acontecendo "sob o olhar dos observadores da ONU" e pediu que os países "reconheçam o fracasso do plano de Annan". Moradores locais estão furiosos porque os observadores não fizeram nenhuma intervenção para impedir o massacre.

Abu Emad, de Houla, disse ter contactado sete observadores sobre o ataque durante a noite. "Avisamos a eles que um massacre estava sendo cometido naquele momento em Houla por mercenários do regime e eles se recusaram a vir e parar o massacre.

Com AP, EFE e BBC

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