Candidatos do Egito alegam fraude no primeiro turno das eleições

Três candidatos entraram com recurso pedindo que a divulgação dos resultados oficiais seja adiada por conta das supostas fraudes

iG São Paulo |

Três candidatos da corrida presidencial no Egito entraram neste domingo com pedido de recurso na comissão eleitoral do país, alegando fraudes no primeiro turno da votação. Segundo eles, essas alterações mudam o resultado da disputa.

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AP
Funcionários de seção eleitoral contam votos com fotos dos candidatos presidenciais do Egito no Cairo (24/5)

Os pedidos devem inflamar uma já explosiva eleição, que terminou com forte polarização entre os dois candidatos que disputarão o segundo turno nos dias 16 e 15 de junho .

De acordo com os resultados preliminares divulgados pela mídia estatal , Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, e o ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak , Ahmed Shafiq, se enfrentarão novamente pela presidência na segunda etapa. Ao todo, 13 candidatos disputaram o cargo.

Jovens, e seculares liberais que lideraram a rebelião popular para derrubar o regime de Mubarak no ano passado, não tiveram sucesso em emplacar um candidato no segundo turno.

Uma grande parte dos votos - mais de 40% - foram para candidatos que eram vistos como mais próximos ao espírito revolucionário - nem para a Irmandade ou para os chamados candidatos dos "resquícios" do regime autoritário. Os votos "revolucionários" ficaram divididos entre os candidatos que ficaram em terceiro e em quarto lugar.

Morsi, que ficou em primeiro, recebeu apenas 25% dos votos, segundo resultados preliminares. Shafiq afirmou que os votos de uma província registrados em seu nome não foram incluídos na contagem.

Hamdeen Sabahy, um socialista que teve um desempenho surpreendente, pediu para uma recontagem parcial dos votos depois de ter ficado em terceiro com uma pequena margem de diferença de 700 mil votos atrás de Shafiq.

Sua campanha disse em comunicado neste domingo que os representantes do candidato se encontraram com a comissão eleitoral para pedir que os resultados oficiais não sejam divulgados até que a elegibilidade dos eleitores em cinco províncias seja revista.

Os resultados oficiais das eleições devem ser divulgados entre segunda e terça-feira. "A diferença entre os votos para nós para os votos recebidos por alguns dos outros candidatos é que os nossos são legítimos."

Abdel-Moneim Abolfotoh, um islâmico moderado que ficou em quarto, também entrou com recurso no domingo pedindo adiamento da divulgação dos resultados oficiais. Seu advogado na campanha afirmou ter provas de que algumas pessoas mortas foram registradas como eleitores e que houve episódios de compra de votos.

No geral, a eleição presidencial foi considerada a primeira livre e a mais transparente do país em décadas. Juízes estavam presentes nas estações eleitorais. Além disso, observadores locais e internacionais, assim como jornalistas e representantes de candidatos, podiam acompanhar o processo - um grande contraste em relação à era Mubarak.

Com AP

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