Ex-premiê de Mubarak promete que não haverá 'recriação do antigo regime'

Segundo resultados preliminares divulgados pela mídia estatal, Ahmed Shafiq e candidato da Irmandade Muçulmana disputarão 2º turno

iG São Paulo |

O candidato à presidência Ahmed Shafiq elogiou neste sábado a "gloriosa revolução" que derrubou Hosni Mubarak do poder do Egito. O último premiê a governar sob Mubarak, que se prepara para enfrentar Mohammed Morsi da Irmandade Muçulmana no segundo turno das eleições , segundo indicam resultados preliminares, prometeu aos seus eleitories que não haverá "uma recriação do antigo regime".

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AP
O candidato presidencial egípcio Ahmed Shafiq falou à mídia em coletiva concedida no Cairo, Egito

"Estou cansado de ser rotulado como 'antigo regime'", disse Shafiq em uma coletiva na sede da sua campanha. "Essa conversa não vale mais nada depois que sete milhões de pessoas votaram em mim." Quando perguntado novamente sobre a questão, ele afirmou: "Todos os egípcios foram parte do velho regime. Por que nós continuamos dizendo a mesma coisa milhares de vezes?"

De acordo com resultados preliminares divulgados pela mídia estatal egípcia, Morsi tem uma ligeira vantagem sobre Shafiq, com 25,3% dos votos contra 24,9%. Os dois representam forças que têm se enfrentado há décadas. Shafiq prometeu que, caso eleito, o país não assistirá a um retorno da era Mubarak. "Eu prometo agora, a todos os egípcios, que nós devemos dar início a uma nova era. Não haverá retorno", disse ele, segundo a agência de notícias AFP. "Nós devemos aceitar os resultados."

Os dois dias de primeiro turno das eleições transcorreram pacificamente. Os resultados oficiais serão anunciados na terça-feira, mas a mídia estatal tem divulgado contagens de diversos postos eleitorais e, até o momento, confirma os dois candidatos.

Um porta-voz da Irmandade Muçulmana afirmou que o Egito estaria "em perigo", caso Shafiq seja eleito, e o grupo buscará apoio de outros candidatos para derrotá-lo. Alertando para o que chamou de "esforços determinados para recriar o antigo regime", a Irmandade pediu a partidos que apoiaram as revoltas que derrubaram Mubarak para se unir em torno do seu candidato.

As camapanhas da Irmandade e de Shafiq acusavam um ao outro de ter "roubado" a revolução. O porta-voz de Shafiq Ahmed Sarhan pediu aos eleitores pró-revolução para que votassem em seu candidato, dizendo que enquanto seu programa de governo se tratava do "futuro", o da Irmandade era sobre "o império islâmico".

Ahmed Khairy, porta-voz do Partido Egípcios Livres, um partido liberal que surgiu no ano passado, disse que os resultados do primeiro turno representam "o pior cenário possível". Ele descreveu Mursi como um "fascista islâmico" e Shafiq como um "militar fascista".

Os votos nos partidos pró-revolucionários ficaram divididos, segundo os resultados divulgados, entre o esquerdista Hamdin Sabbahi (21,5%) e o islamista moderado Abdul Moneim Aboul Fotouh (19%).

Cerca de 50 milhões de pessoas estavam aptas a votar nas eleições, com 13 candidatos brigando pela presidência . Foi a primeira eleição livre do país na história.

O principal perdedor das eleições foi o ex-ministro das Relações Exteriores Amr Moussa, que durante meses liderou várias pesquisas. O islâmico moderado Abdel-Moneim Abolfotoh também ficou abaixo das expectativas.

As eleições contrapuseram islâmicos contra seculares e revolucionários contra ministros da era Mubarak, que foi forçado a renunciar em 11 de fevereiro de 2011 após 18 dias de protestos populares em meio à Primavera Árabe do norte da África e do Oriente Médio.

Há informações de que Mubarak - que está sob julgamento pela acusação de que ordenou a morte de manifestantes - acompanha a votação do hospital.

Muitos nas ruas expressaram preocupações de que a junta militar que sucedeu a Mubarak possa desconsiderar os resultados das urnas se não gostar da escolha do país. Além disso, até que uma nova Constituição seja aprovada, não está claro quais poderes o novo presidente terá. A comissão eleitoral estimou que cerca de 50% dos 50 milhões de egípcios que podiam votar compareceram às urnas.

Com BBC e AP

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