Candidato de esquerda vai tentar suspender eleição no Egito

Advogado diz que Hamdeen Sabahy vai apresentar um recurso alegando irregularidades no pleito

Reuters |

CAIRO (Reuters) - O candidato de esquerda Hamdeen Sabahy vai apresentar um recurso para suspender a eleição presidencial do Egito devido alegadas irregularidades de voto e um processo pendente contra o direito do ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq de concorrer, disse o advogado Sabahy neste sábado.

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"Vamos apresentar um apelo em nome do candidato Hamdeen Sabahy (...) ao comitê eleitoral presidencial, citando uma série de irregularidades (...) que afetaram o resultado do primeiro turno", disse o advogado Essam El-Islamboly à Reuters.

Segundo a televisão estatal egípcia, os resultados preliminares mostraram Sabahy em terceiro lugar atrás de Shafiq e de Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, após o primeiro turno desta semana. Apenas os dois primeiros passam para o próximo turno em junho.

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Islamboly disse que o recurso, a ser apresentado no domingo ou segunda-feira o mais tardar, irá solicitar à comissão eleitoral para suspender a eleição até que o procurador-geral verifique a reivindicação de um oficial de que o Ministério do Interior tinha ilegalmente atribuído 900 mil votos a favor e Shafiq.

Ele disse Sabahy também queria a eleição interrompida até que o Tribunal Constitucional determine sobre a validade de uma decisão de abril tomada pela comissão eleitoral para desqualificar Shafiq.

O comitê rapidamente levantou a proibição de Shafiq, que foi deposto como último primeiro-ministro do líder Hosni Mubarak, mas encaminhou uma nova lei de restrição aos funcionários de alto escalão da era de Mubarak da corrida para o tribunal constitucional.

Os dois dias de primeiro turno das eleições transcorreram pacificamente. Os resultados oficiais serão anunciados na terça-feira, mas a mídia estatal tem divulgado contagens de diversos postos eleitorais e, até o momento, confirma os dois candidatos.

Um porta-voz da Irmandade Muçulmana afirmou que o Egito estaria "em perigo", caso Shafiq seja eleito, e o grupo buscará apoio de outros candidatos para derrotá-lo. Alertando para o que chamou de "esforços determinados para recriar o antigo regime", a Irmandade pediu a partidos que apoiaram as revoltas que derrubaram Mubarak para se unir em torno do seu candidato.

As camapanhas da Irmandade e de Shafiq acusavam um ao outro de ter "roubado" a revolução. O porta-voz de Shafiq Ahmed Sarhan pediu aos eleitores pró-revolução para que votassem em seu candidato, dizendo que enquanto seu programa de governo se tratava do "futuro", o da Irmandade era sobre "o império islâmico".

Ahmed Khairy, porta-voz do Partido Egípcios Livres, um partido liberal que surgiu no ano passado, disse que os resultados do primeiro turno representam "o pior cenário possível". Ele descreveu Mursi como um "fascista islâmico" e Shafiq como um "militar fascista".

Os votos nos partidos pró-revolucionários ficaram divididos, segundo os resultados divulgados, entre o esquerdista Hamdin Sabbahi (21,5%) e o islamista moderado Abdul Moneim Aboul Fotouh (19%).

Cerca de 50 milhões de pessoas estavam aptas a votar nas eleições, com 13 candidatos brigando pela presidência . Foi a primeira eleição livre do país na história.

O principal perdedor das eleições foi o ex-ministro das Relações Exteriores Amr Moussa, que durante meses liderou várias pesquisas. O islâmico moderado Abdel-Moneim Abolfotoh também ficou abaixo das expectativas.

As eleições contrapuseram islâmicos contra seculares e revolucionários contra ministros da era Mubarak, que foi forçado a renunciar em 11 de fevereiro de 2011 após 18 dias de protestos populares em meio à Primavera Árabe do norte da África e do Oriente Médio.

Há informações de que Mubarak - que está sob julgamento pela acusação de que ordenou a morte de manifestantes - acompanha a votação do hospital.

Muitos nas ruas expressaram preocupações de que a junta militar que sucedeu a Mubarak possa desconsiderar os resultados das urnas se não gostar da escolha do país. Além disso, até que uma nova Constituição seja aprovada, não está claro quais poderes o novo presidente terá. A comissão eleitoral estimou que cerca de 50% dos 50 milhões de egípcios que podiam votar compareceram às urnas.

Com BBC e AP

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