Após prisão, jornalista brasileiro aguarda permissão para deixar a Síria

Itamaraty não deu detalhes sobre situação de jornalista, mas disse que ele já foi libertado e passa bem

iG São Paulo |

AP
Imagem de vídeo que diz mostrar policiais correndo atrás de manifestantes em Damasco, na Síria
Um jornalista brasileiro aguarda permissão para deixar a Síria após ter sido preso e libertado, afirmou o Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira.

O Itamaraty não informou o nome do profissional nem deu detalhes sobre o caso, atendendo a um pedido do veículo de comunicação no qual ele trabalha, que foi o responsável por acionar o governo brasileiro.

Informações extraoficiais indicam que o jornalista seria Klester Cavalcanti, de 42 anos, que trabalhou em importantes veículos da imprensa, como as revistas "Veja" e "Istoé", é autor de vários livros e ganhou por duas vezes, em 2005 e 2007, o Prêmio Jabuti de Literatura.

Segundo o ministério, o jornalista se encontra em "boas condições" físicas, não sofreu maus-tratos e ameaças e espera o fim das negociações diplomáticas para deixar o país. Não foi informado quando o brasileiro foi preso ou solto nem o motivo da prisão.

Leia também: Mortes de jornalistas revelam dificuldade de cobertura na Síria

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a Embaixada do Brasil em Damasco está em contato com o governo sírio para que a situação do brasileiro seja regularizada e ele possa deixar a Síria o mais rápido possível.

A Síria vive uma onda de violência há mais de um ano, quando teve início a revolta popular contra o presidente do país, Bashar Al-Assad, duramente reprimida pelas forças de segurança.

O conflito se tornou uma das tarefas mais difíceis e perigosas dos últimos anos para os jornalistas: pelo menos sete morreram enquanto cobriam a revolta.

A recusa do governo sírio em permitir que jornalistas estrangeiros circulem livremente por todo o país têm estimulado alguns a atravessar a fronteira pelo Líbano ou Turquia, correndo um grande risco pessoal.

Ao longo do caminho, os jornalistas têm enfrentado uma combinação única de desafios, incluindo péssimos sinal de celular e conexão à internet, a ausência de uma clara linha de frente e a constante ameaça de ser capturado pelas forças de segurança leais ao governo sírio.

Alguns jornalistas receberam a permissão para entrar na Síria através da sua capital, Damasco, mas eles relataram terem sido seguidos pela polícia secreta e proibidos de transitar por algumas regiões do país.

Desde março do ano passado, os confrontos na Síria deixaram mais de 9 mil mortos, de acordo com estimativas da ONU.

Com The New York Times e EFE

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