Eleição histórica termina no Egito com tensão entre favoritos

Enquanto Irmandade Muçulmana diz liderar votação, outros candidatos trocam acusações; resultados preliminares saem no fim de semana

iG São Paulo |

O ex-chefe da Liga Árabe Amr Moussa e o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq trocaram acusações, dizendo que falsos rumores estão sendo espalhados de que desistiriam das primeiras eleições presidenciais livres do Egito , cujo primeiro turno terminou nesta quinta-feira às 21h locais (16h de Brasília). Outros candidatos também foram acusados de quebrar as regras do "silêncio eleitoral".

AP
Funcionários de seção eleitoral contam votos com fotos dos candidatos presidenciais do Egito no Cairo (24/5)
As eleições contrapuseram islâmicos contra seculares e revolucionários contra ministros da era Hosni Mubarak , que foi forçado a renunciar em 11 de fevereiro de 2011 após 18 dias de protestos populares em meio à Primavera Árabe do norte da África e do Oriente Médio. No total, há 13 candidatos concorrendo, com os favoritos sendo Shafiq; Moussa; Mohammed Mursi, que chefia o Partido da Justiça e Liberdade da Irmandade Muçulmana; e o independente islâmico Abdul Moneim Aboul Fotouh.

Logo após o término da votação, a Irmandade Muçulmana disse que seu candidato estaria liderando a eleição, segundo pesquisas de boca de urna feitas pelo grupo em todo o país. Não foi possível confirmar a confiabilidade dessas sondagens de forma independente.

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No segundo dia do primeiro turno, as tensões aumentaram entre os candidatos - principalmente entre aqueles que disputam os mesmos eleitores. Embora as regras de campanha os proíbam de dar entrevistas a emissoras egípcias, eles inventaram as razões mais dúbias para fazê-lo e conversaram com outras TVs árabes e internacionais.

O ex-chefe da Liga Árabe disse à BBC Árabe e a outras redes que "rumores sinistros" estavam sendo espalhados pela campanha de Shafiq indicando que ele estava perto de desistir. O porta-voz de Shafiq fez uma alegação contrária similar à agência Mena. Ele também reclamou que "mentiras" estavam sendo espalhadas por grupos islâmicos.

Na quarta-feira, o vice-chefe do braço político da Irmandade Muçulmana reclamou - em uma coletiva - sobre candidatos "que usavam a mídia para afetar os eleitores" em violação da lei do silêncio da campanha. Violações menores do lado de fora das seções eleitorais foram relatados por todos os candidatos para a Alta Comissão da Eleição Presidencial. 

Há informações de que Mubarak - que está sob julgamento pela acusação de que ordenou a morte de manifestantes - acompanha a votação do hospital. Se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos, um segundo turno está marcado para 16 e 17 de junho. Espera-se que os resultados preliminares do primeiro turno sejam divulgados no fim de semana, com os resultados oficiais sendo esperados na terça.

Muitos nas ruas expressaram preocupações de que a junta militar que sucedeu a Mubarak possa desconsiderar os resultados das urnas se não gostar da escolha do país. Além disso, até que uma nova Constituição seja aprovada, não está claro quais poderes o novo presidente terá. A comissão eleitoral estimou que cerca de 50% dos 50 milhões de egípcios que podiam votar compareceram às urnas.

Filas de votação

Pelo segundo dia consecutivo, os eleitores foram em massa às urnas, num processo condicionado pelo desejo de retorno à estabilidade política e de rápida recuperação econômica. Desde a revolta que derrubou Mubarak, as prioridades dos egípcios ofuscaram os sonhos de liberdade e deram lugar ao realismo da luta diária para suprir suas necessidades básicas. Essas eleições simbolizam a ânsia por mudanças.

A economia egípcia anda muito prejudicada, principalmente pela queda do turismo e por índices de insegurança e criminalidade nunca vistos em um país onde antes a onipresente polícia era temida. "Precisamos de um presidente que restaure a segurança nacional e acabe com o caos surgido neste último ano", afirmou o engenheiro Mohammed Mustafa, de 27 anos.

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Enquanto esperava pela vez para votar em uma escola de ensino médio no bairro popular de Sayida Zainab, Mustafa destacou a necessidade de um líder com experiência e, por isso, disse que votará em Shafiq, último primeiro-ministro de Mubarak, que viu sua popularidade aumentar nas últimas horas.

A sensação de que o Egito não pode permitir riscos condicionou muitos nas eleições, as primeiras democráticas do país, ficando patente que dois dos favoritos sejam membros do antigo regime. Por isso, outro nome bem cotado é do ex-ministro das Relações Exteriores Moussa, que, embora tenha buscado se livrar do rótulo de "fulul" (remanescente do regime Mubarak), ainda é assim caracterizado por seus seguidores e detratores.

Frente aos que apoiam esses candidatos laicos, uma grande proporção se mostrou favorável a Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana, cujo programa de "renascimento" fez eco entre amplos setores.

Alguns egípcios temem que esse grupo conservador, que já controla metade das cadeiras do Parlamento , obtenha também a presidência e conduza o país a uma espécie de nova ditadura. Mas, para outros, uma boa sintonia entre o Legislativo e a chefia de Estado ajudará o Egito a prosperar.

*Com BBC, EFE e AP

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