Egípcios votam no segundo dia de histórica eleição presidencial

País realiza último dia de votação que vai escolher novo presidente, 15 meses após a queda de Hosni Mubarak

iG São Paulo |

Colégios eleitorais do Egito reabriram nesta quinta-feira para o segundo e último dia da histórica votação presidencial do país, as primeiras plenamente democráticas da história do país. A histórica eleição ocorre 15 meses após a queda do ex-presidente Hosni Mubarak , forçado a renunciar após uma revolta popular.

O primeiro dia de votação aconteceu sem incidentes graves e, para estimular a participação dos eleitores, foi decretado feriado nesta quinta-feira. Caso nenhum candidato consiga a maioria dos votos, haverá segundo turno, em junho.

O jornal independente Al Tahrir afirmou que Mubarak acompanhou o primeiro dia de votação deprimido e ao lado da mulher, que vestia preto, em sinal de luto. As informações foram dadas por um médico. Segundo ele, Mubarak passou o dia na cama e pioror psicologicamente ao ver o luto da mulher. O ex-líder teria dito a seguinte frase: "Depois de mim, nenhum presidente permanecerá no Egito."

Leia também: Entenda o que está em jogo nas eleições presidenciais egípcias

AP
Mulher egípcia mostra dedo marcado com tinta após votar no Cairo (24/05)

Os principais candidatos são Ahmed Shafiq, antigo comandante da força aérea e primeiro-ministro durante os protestos de fevereiro de 2011; Amr Moussa, que foi ministro das Relações Exteriores e chefe da Liga Árabe; Mohammed Mursi, que lidera a Irmandade Muçulmana e o Partido da Justiça e Liberdade; e Abdul Moneim Aboul Fotouh, candidato independente islâmico.

Até que uma nova Constituição seja aprovada, não está claro que poderes o presidente terá, o que provoca temores de atrito com os militares.

O Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF), preocupado com a agitação pós-eleitoral, tem procurado tranquilizar os egípcios afirmando que a democracia veio para ficar.

"É importante que todos aceitem o resultado das urnas, que refletem a livre escolha do povo egípcio, tendo em conta que o processo democrático do Egito está dando seu primeiro passo e todos nós devemos contribuir para seu sucesso", disse o Conselho em um comunicado emitido na segunda-feira.

Pelo menos um terço dos eleitores estava indeciso sobre os candidatos. "Não consigo decidir. Quero alguém que possa trazer estabilidade e prosperidade", disse à agência de notícias Reuters Hussam Sobeih, 45 anos. "Apoiei a revolução até Mubarak ser derrubado, mas depois a situação piorou e eu quero minha vida de volta."

Mubarak renunciou em 11 de fevereiro de 2011, após 18 dias de protestos no Cairo e outras cidades. Ele está sendo julgado por seu suposto papel nas mortes de manifestantes, em um processo que deve ser concluído dia 2 de junho.

Os 15 meses seguidos à deposição de Mubarak foram turbulentos, com constantes protestos violentos e conflitos entre muçulmanos e a minoria cristã, que corresponde a 10% da população. Os cristãos temem que ascensão de conservadores islamistas aumente tensões religiosas.

A economia em deterioração também é um desafio para o novo presidente. O investimento direto estrangeiro caiu de US$ 6,4 bilhões positivos em 2010 para US$ 500 milhões negativos no ano passado. O turismo, importante gerador de receita para o país, também caiu em um terço.

Com BBC e AP

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