Entenda o que está em jogo nas eleições presidenciais egípcias

Economia fraca e alto índice der desemprego estão entre principais desafios de novo presidente do país

BBC Brasil |

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Os egípcios vão às urnas nos dias 23 e 24 de maio para eleger um novo presidente. Se nenhum candidato conseguir mais da metade dos votos, o segundo turno será realizado em 16 e 17 de junho.

Esta será a primeira eleição presidencial desde a queda do presidente Hosni Mubarak , em fevereiro de 2011. A eleição será disputada por 13 candidatos de diferentes convicções: islâmicos, liberais e ex-integrantes do regime de Mubarak.

Leia também: Egito vai às urnas em histórica eleição presidencial pós-Mubarak

AP
Mulher vota nas eleições presidenciais egípcias em colégio eleitoral do Cairo

O novo presidente terá de enfrentar imensos desafios, além de herdar um legado de corrupção, pobreza, desemprego galopante e problemas de segurança.

Poderes

Excepcionalmente, o novo presidente será eleito sem que haja no país uma Constituição definindo seus poderes, por causa de divergências políticas. O Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o controle do país desde a queda de Mubarak, decidiu que a Constituição deveria ser elaborada antes de o novo presidente tomar posse, em 30 de junho, mas isto parece improvável.

Entretanto, todos os partidos políticos parecem concordar que os poderes do presidente devem ser reduzidos para evitar o surgimento de déspotas como Hosni Mubarak.

A eleição está sendo realizada sob regras introduzidas vários meses após sua deposição, que relaxam critérios de elegibilidade aprovados sob Mubarak e que aparentemente favoreciam a ele e a seu filho Jamal, então visto como o provável sucessor.

O mandato foi reduzido para quatro anos, e o presidente eleito só pode se candidatar a dois mandatos no máximo. Os candidatos estão autorizados a gastar um máximo de 10 milhões de libras egípcias (pouco mais de R$ 3 milhões) na campanha para o primeiro turno, e até 2 milhões de libras egípcias no segundo turno. Financiamentos externos são estritamente proibidos.

Democracia pós-Mubarak

Este será o segundo pleito realizado no Egito desde a derrubada de Hosni Mubarak. No final de novembro passado, os egípcios foram em massa às urnas para as eleições parlamentares, impulsionados pela nova crença de que seus votos agora faziam sentido.

Para a eleição presidencial, 23 candidatos apresentaram os seus documentos de registro, mas a Comissão Eleitoral egípcia rejeitou 10 delas, provocando críticas. Entre os excluídos estão o ex-vice-presidente e chefe de espionagem Umar Sulayman, o rico empresário Khairat al-Shater, da Irmandade Muçulmana, e o pregador salafista Hazem Abu Ismail. As decisões da comissão eleitoral são finais e não puderam ser contestadas em tribunal.

Pesquisas de opinião contraditórias dão pouca indicação de favoritos. Os militantes islâmicos estão divididos sobre qual candidato apoiar.

Após a desqualificação de Shater, a Irmandade Muçulmana apoiará Mohammed Mursi, mas os mais radicais decidiram apoiar outro islâmico, Abdul Moneim Aboul Fotouh. No campo secular, os votos também podem ser divididos entre dois candidatos que serviram no antigo regime, Amr Moussa e Ahmed Shafiq.

Desafios para o presidente

Quem vencer o pleito terá de lidar com grandes desafios internos e externos. Internamente, o novo presidente terá de enfrentar problemas políticos, sociais, econômicos e de segurança.

Com a remoção de Mubarak, as forças políticas do país se polarizaram, entre religiosos e seculares. O novo presidente terá que restaurar a segurança, que se deteriorou desde a revolução, principalmente por causa do colapso do policiamento.

A situação econômica é um dos maiores desafios do novo líder. Mais de 40% dos egípcios vivem abaixo da linha da pobreza, e a incerteza política levou ao colapso dos investimentos estrangeiros, ao fechamento de fábricas, ao aumento do desemprego e da erosão das reservas externas.

O investimento direto estrangeiro caiu de US$ 6,4 bilhões positivos em 2010 para US$ 500 milhões negativos no ano passado. O turismo, importante gerador de receita para o país, também caiu em um terço.

Externamente, o novo líder terá o desafio de manter boas relações, ao mesmo tempo, tanto com países ocidentais como árabes.

As relações com Israel são também um tradicional problema espinhoso. O Egito tem um acordo de paz com Israel, que vinha sendo respeitado por Mubarak. Mas muitos na sociedade egípcia condenam o acordo e querem sua revisão.

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