Conheça os principais candidatos a presidente no Egito

Saiba mais sobre os quatro homens com mais chances de se tornar o próximo líder do país

BBC Brasil |

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Cerca de 50 milhões de egípcios têm o direito de votar , entre esta quarta-feira e a quinta-feira, para escolher o sucessor do presidente Hosni Mubarak , deposto no ano passado .

É previsto um segundo turno, em junho, se nenhum dos presidenciáveis conquistar a maioria dos votos. As pesquisas de intenção de votos apontam resultados distintos.

Veja abaixo os quatro principais candidatos:

Reuters
Abdel Moneim Abol Fotouh vota no Cairo (23/05)
Abdel Fotouh

O ex-integrante da Irmandade Muçulmana - principal grupo oposicionista egípcio - Abdel Moneim Abul Fotouh tem apoio tanto de islâmicos "linha dura" como liberais atraídos pela ideia de que ele poderia reconciliar o país após a recente cisão religiosa.

O médico de 61 anos diz ser o candidato da revolução que derrubou Mubarak e que integrantes do antigo regime não deveriam participar deste pleito.

Sua ampla base de apoio pode ser explicada por ele ter se cercado de assessores de convicções variadas, como marxistas, feministas e cristãos coptas. Ele é criticado por ter prometido muito a muitos. Analistas dizem também que ele seria menos liberal do que aparenta ser. Fotouh quer saúde e educação para todos os egípcios e defende uma visão "light" da lei religiosa, ou sharia.

"Quando as pessoas pensam em sharia, logo imaginam que as mulheres vão ser forçadas a usar véu, o turismo será proibido...mas eles não pensam em seus aspectos excelentes como a ênfase na liberdade individual, justiça e desenvolvimento", disse ele.

Fotouh chegou a chamar Israel de "Estado racista" em entrevista à TV egípcia e disse que o acordo de Paz de 1979 seria uma "ameaça nacional" e que deve ser revisto.

AP
Ahmed Shafiq faz campanha em Tanta (11/05)
Ahmed Shafiq

Ahmed Shafiq foi o ultimo premiê a servir no governo Mubarak e, como o ex-presidente, é um produto das Forças Armadas egípcias.

Com reputação de ser um bom tecnocrata, Shafiq, de 70 anos de idade, foi nomeado premiê por Mubarak em seus últimos dias no poder como forma de apaziguar os ânimos populares.

Mas ele foi criticado por ter mantido vários ministros de Mubarak no cargo, renunciando um mês após assumir a posição.

Na Força Aérea até 2002, sua campanha presidencial ressaltou o fato de que Shafiq derrubou dois aviões israelenses em guerras contra o país. Ele apontou segurança e combate ao crime como suas prioridades, caso eleito. Shafiq afirmou estar preparado para nomear um vice-presidente islâmico.

AP
Amr Moussa vota no Cairo (23/05)
Amr Moussa

O candidato laico foi ministro das Relações Exteriores e presidente da Liga Árabe.

Amr Moussa diz que pretende governar para todos os egípcios, independente da religião. Sua campanha mostra pôsteres dele ao lado de símbolos muçulmamos e cristãos.

Mesmo assim, ele ressalta sua identidade muçulmana, afirmando rezar cinco vezes por dia. Mas ele chegou a alertar para a "ameaça" de o Egito se tornar um "laboratório" de seguidores do Islã político.

Críticas contra Israel fizeram aumentar seu apoio popular entre os egípcios. No passado, sua popularidade no país chegou a dificultar suas relações com Mubarak, quando foi ministro do Exterior, entre 1991 e 2001.

Analistas dizem que ele foi indicado para ser Secretário-Geral da Liga Árabe justamente para afastá-lo da esfera de governo do país.

Reuters
Mohammed Mursi vota em Zagazig (23/05)
Mohammed Mursi

O candidato da Irmandade Muçulmana foi nomeado após Khairat el-Shater ter sido proibido de concorrer nas eleições presidenciais.

O engenheiro de 60 anos de idade integrou o grupo anti-israelense Comitê para a Resistência ao Sionismo.

Ele elegeu-se para o Parlamento egípcio pela Irmandade Muçulmana pela primeira vez em 2000.

Ainda parlamentar, foi detido por sete meses em 2005 após participar de protestos por reformas.

Embora uma das principais bandeiras da irmandade Muçulmana seja o estabelecimento de um Estado islâmico de forma gradual e por meios não-violentos, Mursi focou sua campanha na economia.

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