Tunísia extraditará ex-premiê de Kadafi para a Líbia

Previsão é de que extradição ocorra em breve, abrindo precedente para outros países que abrigaram ou prenderam membros de regime deposto

Reuters |

A Tunísia extraditará o antigo primeiro-ministro do ex-líder líbio Muamar Kadafi para a Líbia e a transferência poderá ocorrer em "dias ou semanas", disse o ministro da Justiça tunisiano, Noureddine Bouheiri, nesta terça-feira.

Se ele for entregue, Al-Baghdadi Ali al-Mahmoudi seria o primeiro oficial de alto escalão a ser enviado de volta para julgamento sob a liderança de transição da Líbia. Sua extradição poderia estabelecer um precedente para outros países que deram refúgio ou prenderam membros da velha comitiva de Kadafi, morto em outubro .

Mahmoudi serviu como primeiro-ministro do ditador líbio desde 2006 até a fuga para a vizinha Tunísia na época em que rebeldes tomaram a capital Trípoli , em agosto. Um tribunal tunisiano decidiu em novembro que Mahmoudi deveria ser extraditado .

Posteriormente, porém, o presidente Moncef al-Marzouki disse que a entrega não aconteceria até que a situação na Líbia houvesse se estabilizado e Mahmoudi pudesse ter um julgamento justo depois que Kadafi foi morto por rebeldes e seu corpo exposto.

Bouheiri disse na terça-feira que a decisão tinha sido tomada. "O governo decidiu entregar Mahmoudi e tudo o que resta é a conclusão de algumas questões organizacionais", afirmou à Reuters. "Isso pode acontecer dentro de dias ou semanas ou talvez mais. Nossos irmãos líbios se comprometeram a respeitar Mahmoudi física e emocionalmente e conceder-lhe um julgamento justo."

Autoridades do Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT), no poder desde a queda de Kadafi, há muito tempo pediram que o vizinho norte-africano entregasse Mahmoudi para julgamento. Um porta-voz do CNT saudou a notícia, mas disse que não houve acordos firmes ainda em vigor para a ação.

"Estamos esperando Mahmoudi ser enviado de volta para nós porque negociamos com os tunisianos e agora eles estão cumprindo a sua promessa", afirmou o porta-voz do CNT Mohammed al-Harizy. "Estamos contentes que ele voltará a ser julgado aqui. Quando chegar, vamos alimentá-lo e colocá-lo em um lugar seguro."

    Leia tudo sobre: líbiakadafimundo árabeprimavera árabetunísiaMahmoudi

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG