Secretário-geral da ONU vincula Al-Qaeda a ataque duplo na Síria

Ban Ki-moon disse que rede terrorista deve estar por trás de atentado de 10 de maio que deixou 55 mortos em Damasco

iG São Paulo |

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse acreditar que, de forma "alarmante e surpreendente", a rede terrorista Al-Qaeda deve estar por trás dos grandes ataques terroristas na Síria que deixam cerca de 55 mortos e dezenas de feridos na semana passada. Dois dias depois, o grupo radical praticamente desconhecido al-Nusra reivindicou a autoria das ações, mas depois voltou atrás na sua alegação de responsabilidade.

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O ataque com dois carros-bomba do lado de fora de um prédio da inteligência militar em Damasco em 10 de maio se assemelharam às táticas usadas pela Al-Qaeda no vizinho Iraque. Segundo o secretário-geral da ONU, o envolvimento da rede terrorista na região "criou vários problemas sérios".

"De maneira muito alarmante e surpreendente há poucos dias, houve um enorme e grave ataque terrorista. Acho que a Al-Qaeda deve estar por trás disso. Isso causou outra vez problemas muito sérios", declarou o secretário-geral em Nova York.

No dia dos ataques, os EUA reagiram expressando preocupações de que a Al-Qaeda possa estar se aproveitando da prolongada instabilidade no país árabe. O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, disse que dados de inteligência dos EUA indicam "uma presença da Al-Qaeda na Síria", mas disse que a extensão dessa atividade não é clara. "Precisamos continuar fazendo tudo o que pudermos para determinar o tipo de influência que eles tentam exercer no país."

Ban Ki-moon também notou que também houve dois ataques contra monitores desarmados da ONU que tentam reduzir a violência na Síria, que começou há mais de um ano com o levante popular contrário ao regime do presidente Bashar al-Assad. De acordo com a ONU, a violência deixou mais de 9 mil mortos no período.

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Enviado especial

Nesta sexta-feira, Ahmad Fawzi, porta-voz do enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, disse que Kofi Annan viajará em breve ao país. "Podemos esperar uma visita (de Annan) em breve. O enviado especial conjunto está considerando um convite para visitar a Síria, mas não ainda não foram fixadas datas definitivas", disse Fawzi em Genebra.

O escritório de Annan está "em contato constante com o governo sírio em diversos níveis, por meio da Missão da ONU para a Síria (UNSMIS) e de nossa equipe em Genebra", afirmou Fawzi, que indicou que também "é possível" que o diplomata ganês "viaje a outros países da região".

Questionado sobre a possibilidade de envolvimento da Al-Qaeda na Síria, Fawzi evitou usar o nome da rede terrorista, referindo-se apenas a "um terceiro elemento que apareceu no terreno na Síria, que é preocupante" e dizendo que "ainda não confirmamos quem está por trás desse terceiro elemento".

"Estamos falando de atividades, incidentes e explosões que parecem vir de fontes diferentes da oposição ou do governo. Isso é algo que ainda tem de ser verificado e temos de ter muito cuidado", afirmou.

Sobre a presença dos observadores militares e civis da UNSMIS, assegurou que "talvez hoje mesmo (esta sexta-feira) se chegue ao número de 270", de modo que o mais provável é que se desdobre a totalidade de 300 soldados "em tempo recorde".

*Com EFE e AP

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