Manifestantes anti-Assad tomam ruas da 2ª maior cidade da Síria

Milhares protestam principalmente em Aleppo contra regime enquanto Annan se prepara para uma visita a país árabe

AFP |

Manifestações sem precedentes desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar Al-Assad aconteceram nesta sexta-feira na Síria, principalmente em Aleppo, segunda maior cidade do país, enquanto o emissário internacional Kofi Annan se prepara para uma visita.

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Aleppo, distante das contestações nos primeiros meses da revolta, foi palco nesta sexta-feira "das manifestantes mais importantes", segundo ativistas. "Milhares protestaram em vários bairros, apesar da repressão", de acordo com o presidente do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman. "Aleppo experimenta uma verdadeira insurreição", afirmou Mohammad al-Halabi, um militante local.

Apesar da persistência da violência e dos ataques às cidades, dezenas de milhares tomaram as ruas de todo o país, segundo o OSDH. Foram as maiores manifestações desde o anúncio do cessar-fogo , em 12 de abril. "Queremos a liberdade, quer você queira ou não, Bashar, inimigo da humanidade", gritavam os manifestantes em Deir Ezzor.

Mais uma vez, as tropas do regime abriram fogo contra a multidão em Aleppo e na Província de Damasco, deixando vários feridos. Os bombardeios também continuaram contra os postos rebeldes em Rastan e Homs, segundo o OSDH, que denuncia "o silêncio dos observadores da ONU", enviados para monitorar a trégua.

A violência será o objetivo central da visita de Annan ao país, cuja data ainda não foi determinada. "Podemos esperar uma visita em breve", afirmou seu porta-voz.

Como toda sexta-feira, os militantes convocaram as manifestações para exigir a queda do regime e homenagear os "heróis da Universidade de Aleppo", em referência aos estudantes da cidade que se mobilizaram na presença das forças de paz. Em 3 de maio, quatro estudantes foram mortos pelas forças do governo na universidade, centro da mobilização.

Além disso, a Liga Síria de Defesa dos Direitos Humanos denunciou nesta sexta-feira a sentença de morte contra o ativista sírio Mohammed al-Hariri Abdelmaoula, "brutalmente torturado" desde sua prisão em abril por "alta traição".

Apesar das violações sistemáticas do cessar-fogo, as grandes potências se agarram ao plano Annan, na falta de um plano B, segundo diplomatas. A missão da ONU de supervisão (MISNUS) chegará em breve à sua força total (300 observadores militares), mas os ocidentais já não consideram mais a renovação do mandato de 90 dias, que termina em 21 de julho.

Essa missão se tornou especialmente delicada com os ataques mortais reivindicados por facções obscuras , além da violência diária. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, culpou na quinta-feira a Al-Qaeda pelos recentes ataques .

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O presidente Assad, que tira proveito das divisões da oposição para atenuar a magnitude da contestação, alegou nesta semana que as eleições legislativas de 7 de maio, boicotadas pela oposição, demonstraram o apoio dos sírios ao seu regime.

Na mesma entrevista, Assad pediu ao novo presidente francês, François Hollande , que "pense nos interesses da França" e mude sua política, solicitação ignorada por Paris. "Não será com essas declarações que Assad apagará o fato de que suas forças de segurança continuam a massacrar seu povo", destacou o ministério das Relações Exteriores francês. "A violência acabou? Os prisioneiros foram libertados? O Exército voltou aos quartéis?", questionou.

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