Revolta na Síria provoca confrontos sectários no Líbano

Sunitas que apoiam rebeldes e alawitas partidários de Assad se enfrentam pelo terceiro dia consecutivo em Trípoli

iG São Paulo |

Homens armados entraram em choque pelo terceiro dia consecutivo nas ruas de Trípoli, no Líbano, em batalhas de rua motivadas por tensões sectárias ligadas à revolta popular contra o presidente da Síria, Bashar Al-Assad, que começou há 14 meses. Os confrontos, que começaram na madrugada de domingo, deixaram ao menos cinco mortos e cem feridos.

Leia também: Confrontos em Rastan deixam 23 soldados sírios mortos

AP
Libanesa é vista na janela de sua casa em Trípoli, danificada durante confrontos sectários motivados pela crise na Líbia

O Líbano e a Síria dividem uma complexa rede de laços e rivalidades políticas e sectárias, e a prisão do libanês Shadi Mawlawi, um crítico de Assad, motivou a violência. De um lado estão muçulmanos sunitas que apoiam os rebeldes sírios e de outro estão integrantes da pequena seita alawita, a mesma de Assad, a quem defendem.

Mohammed Jaber, morador de Trípoli, disse que confrontos acontecem na cidade há décadas, mas ganharam novo fôlego por causa da crise na Síria. “O velho se tornou novo”, definiu. “Quando a revolução síria começou, apoiamos todos os esforços para acabar com o regime.”

Outro morador, Mustafa Nashar, disse que os conflitos em Trípoli são “exatamente o que o governo da Síria quer”. “Eles querem que uma batalha comece aqui para que possam dizer: ‘Vejam, até no Líbanos os sunitas estão matando alawitas’”, afirmou.

A violência também continua na Síria, onde, segundo ativistas, forças de segurança atiraram contra uma multidão que participava de um funeral em frente aos observadores da Organização das Nações Unidas (ONU), deixando ao menos 20 mortos. Um porta-voz da ONU confirmou que carros da missão sofreram danos, mas não deu mais detalhes. De acordo com ativistas sírios, nenhum dos observadores ficou ferido.

Na segunda-feira, confrontos violentos na cidade síria de Rastan deixaram ao menos 23 soldados mortos , no que seria o ataque mais mortal para as forças de segurança do país desde o início da revolta.

O ataque em Rastan, que começou no domingo, deixou centenas de feridos e outros sete mortos além dos 23 soldados. A cidade, localizada na região central do país e ao norte de Homs, um dos principais redutos da oposição, está sob controle dos rebeldes desde janeiro.

Dois dias antes, forças de segurança da Síria deixaram ao menos cinco mortos durante um ataque contra um vilarejo rural sunita na província de Hama. Os soldados queimaram casas e saquearam lojas no que pareceu ser um sinal de deterioração nas relações entre os grupos religiosos do país.

Com AP

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