Confrontos em Rastan deixam 23 soldados sírios mortos

Tensão sectária aumenta e União Europeia aprova sanções contra mais duas empresas e três indivíduos acusados de apoiar Assad

iG São Paulo |

Confrontos violentos na cidade síria de Rastan deixaram ao menos 23 soldados mortos nesta segunda-feira, no que seria o ataque mais mortal para as forças de segurança do país desde o início da revolta contra o presidente Bashar Al-Assad, há 14 meses. Em meio à violência, os chanceleres dos países da União Europeia (UE) concordaram em impor uma nova rodada de sanções contra a Síria, a 15ª acordada pelo bloco até agora.

De acordo com a chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, os ministros europeus concordaram em congelar os bens de duas empresas e três indivíduos acusados de financiar o regime sírio. Todos também estão proibidos de entrar nos países do bloco. Com isso, a lista de punidos pela UE passa a ter 128 indivíduos e 43 empresas.

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AFP
Sunita libanês é visto com seu filho durante combate em Trípoli, no Líbano, entre grupos contrários e a favor da revolta na Síria

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, não deu detalhes sobre as sanções mas disse que elas são uma resposta à continuidade da violência. Segundo ele, o cessar-fogo negociado pela Organização das Nações Unidas (ONU) “não está sendo totalmente implementado”. “Continuam acontecendo mortes, abusos e tortura. Então temos de continuar pressionando o regime”, afirmou.

Em comunicado, o bloco declarou apoio ao plano de paz negociado pelo enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan. Catherine Ashton afirmou que nesse fim de semana devem chegar ao território sírio os primeiros veículos cedidos pela UE à missão observadora da ONU.

Tensão sectária

O ataque em Rastan, que começou no domingo, deixou centenas de feridos e outros sete mortos além dos 23 soldados. A cidade, localizada na região central do país e ao norte de Homs, um dos principais redutos da oposição, está sob controle dos rebeldes desde janeiro.

Dois dias antes, forças de segurança da Síria deixaram ao menos cinco mortos durante um ataque contra um vilarejo rural sunita na província de Hama.

Os soldados queimaram casas e saquearam lojas no que pareceu ser um sinal de deterioração nas relações entre os grupos religiosos do país.

A Síria tem população majoritariamente sunita, mas o presidente Assad e a elite governante pertencem à minoria alawita.

Confrontos também aconteceram na cidade libanesa de Trípoli, próxima à fronteira, entre libaneses sunitas, que em geral apoiam o levante contra Assad, e alawitas partidários do regime. Os choques, que começaram no domingo e ainda aconteciam na manhã desta segunda-feira, deixaram cinco mortos.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo da oposição com sede em Londres, afirmou que a segunda-feira também foi de violência em Qabounm, subúrbio de Damasco que foi invadido por forças de segurança.

Rússia

Também nesta segunda-feira, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Gennady Gatilov, afirmou que a Rússia acredita que a rede terrorista Al-Qaeda está por trás dos atentados registrados na Síria nos últimos dias.

“Para nós, é absolutamente claro que os grupos terroristas estão por trás de tudo isto, a Al-Qaeda e os grupos que operam com a Al-Qaeda", disse Gatilov, ecoando o discurso do regime de Assad, que atribuiu a violência na Síria a grupos terroristas.

Um duplo atentado suicida em Damasco na semana passada deixou 55 mortos e mais de 370 feridos. Um dia antes, uma bomba atingiu um veículo militar sírio em Deraa, segundos depois de um comboio de observadores da ONU ter passado pelo mesmo local. De acordo com a imprensa estatal, seis soldados da Síria ficaram feridos no ataque.

Com AP e AFP

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