Ataques pessoais e religião marcam histórico debate presidencial no Egito

Principais candidatos à presidência trocam farpas e acusações no primeiro evento do tipo da história do país

iG São Paulo |

Ataques pessoais marcaram entre os dois principais candidatos à presidência do Egito marcaram o primeiro debate eleitoral da história do país, realizado na quinta-feira. O ex-chefe da Liga Árabe Amr Moussa, de tendência nacionalista laica, e o islâmico moderado Abdul Moneim Aboul Fotouh, ex-membro da Irmandade Muçulmana, deixaram claras suas diferenças principalmente sobre o papel da religião na política.

Transmitido por duas emissoras de televisão privadas, o debate criou enorme expectativa no Egito. Nos movimentados cafés do Cairo, milhares se reunião para acompanhar o debate, que durou quase cinco horas. A votação por etapas começa dentro de duas semanas, culminando a transição do atual regime militar para um governo civil.

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AP
Abdul Moneim Aboul Fotouh e Amr Moussa participam do primeiro debate eleitoral no Cairo

Nos 90 minutos que antecederam ao debate, os canais ressaltaram sua importância histórica mostrando imagens de arquivo do primeiro debate presidencial na história mundial -em 1960, entre John Kennedy e Richard Nixon, nos EUA.

Os candidatos partiram para ataques pessoais desde o primeiro momento, com Moussa focado em desacreditar Aboul Fotouh por seu "discurso duplo". Por sua vez, o islamita tentou mostrar o rival como um remanescente do regime de Hosni Mubarak , presidente forçado a deixar o cargo no ano passado, de quem Moussa foi ministro das Relações Exteriores durante uma década, até 2001.

Moussa se defendeu com o argumento de que abandonou o governo por vontade própria, por não estar de acordo com suas políticas, e contra-atacou vinculando Aboul Fotouh à Irmandade Muçulmana, que controla o Parlamento.

"Estou contra os partidos religiosos, porque sua base é a divisão. As forças religiosas prejudicam a coesão social e têm objetivos que podem dividir o Egito", avaliou Moussa.

A religião foi o grande eixo do debate, com Aboul Fotouh defendendo firmemente a "sharia", como é conhecida a lei islâmica, e Moussa tentando apresentar-se como o candidato laico.

Aboul Fotouh acusou seu rival de pretender "excluir a maioria do povo egípcio" com suas críticas às forças de inspiração religiosa. O islamita defendeu "um Estado democrático independente que ponha a 'sharia' e seus princípios acima de tudo". "Não há contradição entre a 'sharia' e a modernidade", afirmou o candidato, para quem a lei islâmica é "justiça, piedade de Deus e bem-estar".

Eles trataram também de temas como tributação, reforma da polícia, educação, saúde pública e o papel das poderosas Forças Armadas. Ambos disseram que os militares devem ficar fora da política e prometeram um salário mínimo de 1,2 mil libras (US$ 200).

Em seu pronunciamento final, Moussa disse que o futuro presidente deverá "trabalhar no marco da Constituição e da lei, dando a Deus o que é de Deus e a César o que é de César".

Aboul Fotouh, por sua vez, lançou um último ataque a seu oponente ao pedir ao povo egípcio que "não devolva o país ao passado", em alusão indireta ao rival.

O primeiro turno da eleição egípcia, com 13 candidatos, será nos dias 23 e 24 de maio. O segundo turno será em junho.

Outros candidatos incluem Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana; Ahmed Shafiq, que foi premiê de Mubarak; e Hamdeen Sabahy, de esquerda. Os organizadores do debate disseram que só convidaram Abol Fotouh e Moussa, porque eles estão à frente nas pesquisas.

 Com EFE

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