Ataques suicidas deixam 55 mortos na capital da Síria

Duas explosões ferem mais de 370, no pior ataque a bomba desde início levante anti-governo; EUA temem influência da Al-Qaeda

iG São Paulo |

Dois ataques suicidas deixaram ao menos 55 mortos e mais de 370 feridos na capital da Síria, Damasco, nesta quinta-feira, nos piores atentados a bomba desde o início da revolta contra o presidente Bashar Al-Assad, que começou há 14 meses . Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pela explosão.

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AFP
Sírios carregam corpo carbonizado em local de duas explosões em Damasco
Os EUA reagiram à violência expressaram preocupações de que a Al-Qaeda possa estar se aproveitando da prolongada instabilidade no país árabe. O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, disse que dados de inteligência dos EUA indicam "uma presença da Al-Qaeda na Síria", mas disse que a extensão dessa atividade não é clara. "Precisamos continuar fazendo tudo o que pudermos para determinar o tipo de influência que eles tentam exercer no país."

De acordo com o Ministério do Interior, explosivos que pesavam mais de 1 mil kg foram detonados com alguns segundos de diferença, por volta das 7h50, quando muitos moradores se dirigiam ao trabalho. Um repórter da Associated Press viu paramédicos usando luvas de borracha para coletar pedaços de corpos, em meio a carros destruídos e destroços de uma instalação militar foi o alvo do ataque.

Apesar do forte esquema de segurança montado na capital desde o início da revolta, vários ataques foram realizados recentemente, especialmente contra instalações de segurança e comboios. O governo culpa “grupos terroristas”, enquanto opositores acusam o regime de fabricar os atentados para “demonizar” o levante.

O major Robert Mood, chefe da missão observadora da Organização das Nações Unidas (ONU), visitou o local do atentado nesta quinta-feira e disse que o povo sírio não merece “essa violência terrível”.

Questionado sobre que mensagem gostaria de enviar aos responsáveis por atentados como esses, disse: “Não vão resolver nada, apenas aumentar o sofrimento das mulheres e crianças.”

A TV estatal síria mostrou meninas chorando, desesperadas, em frente a uma escola próxima ao local das explosões, que deixaram crateras de três metros de profundidade e seis metros de largura em frente à instalação militar.

O ataque é mais um golpe contra o cessar-fogo negociado pelo enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, que nesta quinta-feira fez um apelo pelo fim da violência. “O povo sírio já sofreu demais”, afirmou, em comunicado. "Esses atos odiosos são inaceitáveis e a violência na Síria deve parar."

O Conselho de Segurança da ONU conclamou todas as partes no país a implementar o plano de paz da ONU para pôr fim à violência. O secretário de Defesa dos EUA também lamentou que um mês dos esforços para implementar o cessar-fogo não tenha dado resultado.

A missão de Annan se baseia em um plano que inclui o fim completo da violência, a libertação dos detidos políticos e o acesso às organizações humanitárias à população civil, assim como à imprensa internacional. O Conselho de Segurança da ONU aprovou em 21 de abril uma resolução para aumentar o número de observadores militares desarmados na Síria, dentro da chamada Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS).

O que começou com um movimento de protesto amplamente pacífico evoluiu para mais sírios pegando em armas em face da repressão do governo. Segundo a ONU, a violência deixou mais de 9 mil mortos desde seu início, há 14 meses.

Com AP, EFE e Reuters

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