Egito realiza o primeiro debate presidencial de sua história

Participaram o ex-chefe da Liga Árabe Amr Moussa e o islâmico moderado Abdul Moneim Aboul Fotouh, apontados como favoritos

iG São Paulo |

O Egito realizou nesta quinta-feira o primeiro debate ao vivo entre candidatos presidenciais de sua história. Nele participaram os dois esperados favoritos na eleição prevista para ocorrer no fim deste mês - o ex-chefe da Liga Árabe Amr Moussa e o islâmico moderado Abdul Moneim Aboul Fotouh.

Sob pressão: Egito faz mudanças em governo interino

AFP
Egípcios assistem ao ex-secretário da Liga Árabe Amr Mussa durante debate ao vivo em um telão público no Cairo
Eleições: Candidatos à presidência do Egito prometem proteger militares

Milhões de egípcios assistiram ao debate, que foi transmitido em duas populares redes privadas de TV. O primeiro turno eleitoral está marcado para 23 e 24 de maio. Se ninguém conseguir uma maioria absoluta, o segundo turno ocorrerá em junho. Espera-se que essa seja a primeira votação livre e justa para presidente do Egito.

Segundo várias pesquisas de opinião, Moussa e Aboul Fotouh lideram a disputa, o que os levou a atacar um ao outro durante a campanha.

Durante o debate, Moussa criticou o histórico de seu rival como um ex-membro graduado da poderosa Irmandade Muçulmana, enquanto Aboul Fotouh chamou o ex-ministro de Relações Exteriores de um remanescente do regime deposto de Hosni Mubarak .

O debate, previsto inicialmente para 3 de maio, foi dividido em duas partes. Na primeira, foram considerados os poderes constitucionais e presidenciais. O segundo cobriu as plataformas eleitorais dos candidatos em relação ao Judiciário, à segurança e a outras questões.

O encontro entre os candidatos foi adiado para esta quinta-feira por causa de confrontos do lado de fora do Ministro da Defesa no Cairo, que deixaram ao menos 11 mortos e dezenas de feridos.

Abuso de mulheres

O debate ocorreu no mesmo dia em que organizações de direitos humanos egípcias denunciaram os abusos cometidos por soldados militares contra um grupo de mulheres detidas nos distúrbios da semana passada no Cairo, embora as acusações tenham sido rebatidas pela justiça militar.

A responsável do Centro Egípcio para os Direitos das Mulheres, Iriny Zarif, condenou a detenção arbitrária de 18 jovens egípcias e uma menor que depois foram liberadas. Em declarações à EFE, Zarif apontou que as pessoas receberam um tratamento "humilhante" durante a passagem pela prisão de mulheres de Al-Qanater, nos arredores da capital.

A ativista explicou que as mulheres compartilharam cela com presos perigosos, foram machucadas e uma delas disse ter sido estuprada. O grupo de direitos humanos também informou sobre as dificuldades de seus advogados em se comunicar com as presas para tentar defendê-las judicialmente.

No sábado, a promotoria Militar libertou as detidas, mas ordenou que outros 300 detidos permanecessem sob custódia durante mais duas semanas.

Diante de uma comissão parlamentar, algumas mulheres disseram na terça-feira que os militares as tinham insultado, agredido e ameaçado estuprá-las. Aya Kamal, uma das vítimas, relatou que os oficiais bateram nela e tentaram tirar seu véu islâmico no caminho a uma mesquita perto do Ministério da Defesa.

Reuters
Soldados egípcios prendem mulher durante confrontos na Praça Tahrir, no Cairo (17/12)
O presidente da Justiça Militar egípcia, o general Adel Al Mursi, negou o assédio de militares a mulheres nos últimas protestos e pediu que as denúncias sejam apresentadas para serem investigadas, informou hoje a agência oficial de notícias Mena.

As Forças Armadas egípcias são alvo dos grupos de direitos humanos pela conduta abusiva em relação às mulheres que se manifestaram nos últimos meses contra a Junta Militar, no poder desde a renúncia de Mubarak, em fevereiro de 2011.

Outro episódio violento, chamado de " testes de virgindade ", foi praticado com algumas egípcias como no caso de Samira Ibrahim, que denunciou um médico militar por examiná-la contra sua vontade. O tribunal militar absolveu o acusado em março.

*Com BBC e EFE

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG