Bomba explode perto de veículo da ONU e fere soldados sírios

Explosão na cidade de Deraa, que não foi reivindicada por nenhum grupo, atinge carro do Exército da Síria e deixa seis feridos

iG São Paulo |

A explosão de uma bomba atingiu um veículo militar sírio nesta quarta-feira em Deraa, segundos depois de um comboio de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) ter passado pelo mesmo local. De acordo com a imprensa estatal, seis soldados da Síria ficaram feridos no ataque, que não foi reivindicado por nenhum grupo.

De acordo com um repórter da Associated Press que viajava com o comboio da ONU, que não foi atingido, a explosão quebrou os vidros do veículo militar e provocou uma nuvem de fumaça. “(O ataque) é um exemplo do que os sírios vivem todos os dias”, disse o chefe da missão observadora, major Robert Mood, garantindo que os trabalhos continuarão normalmente.

Leia também: Annan adverte para risco de guerra civil na Síria se plano fracassar

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Soldados sírios, um deles feridos por explosão, são vistos em Deraa, no sul do país

A explosão ocorreu a cerca de cem metros do comboio da ONU. “Estávamos seguindo atrás, como proteção, quando uma bomba colocada na estrada feriu cinco militares”, disse um soldado que pediu para ser identificado apenas pelo primeiro nome, Yahya.

O major Robert Mood disse não saber se o alvo do ataque era o veículo sírio ou os observadores da ONU. “O importante para mim não é especular sobre isso, mas, sim, mostrar que isso precisa parar”, afirmou.

Nesta quarta-feira, o jornal Asharq al-Awsat, com sede em Londres, publicou uma entrevista na qual o coronel Riad al-Assad, um dos líderes dos rebeldes sírios, ameaçou retomar os ataques contras as forças de segurança pelo fato de o governo não estar honrando um cessar-fogo negociado pela ONU e pela Liga Árabe.

A declaração é mais um golpe para a tentativa das organizações de resolver o conflito. Na terça-feira, o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, disse que as potência mundiais compartilham a " preocupação profunda " de que o país esteja caminhando para uma guerra civil.

Ele garantiu, porém, que os países continuam comprometidos com seu plano de paz de seis pontos e prometeram enviar os 300 monitores do cessar-fogo ao país árabe até o fim deste mês.

A missão de Annan se baseia em um plano que inclui o fim completo da violência, a libertação dos detidos políticos e o acesso às organizações humanitárias à população civil, assim como à imprensa internacional. O Conselho de Segurança da ONU aprovou em 21 de abril uma resolução para aumentar o número de observadores militares desarmados na Síria, dentro da chamada Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS).

Annan alertou, entretanto, que o mundo não pode esperar para sempre que o plano de cessar-fogo funcione, lembrando que o banho de sangue não acabou apesar da trégua.

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Soldados sírios são refletidos em vidro de veículo militar atingido por explosão em Deraa

A Cruz Vermelha disse que o conflito sírio está se tornando uma guerra de guerrilha com emboscadas e ataques a bomba, em vez de batalhas como ofensivas militares contra áreas rebeldes vistas no início do levante. A organização também advertiu que 1,5 milhão de sírios enfrentam dificuldades para responder a suas necessidades básicas.

De acordo com Annan, a missão de monitoramento da ONU "não é um compromisso sem limites, mas possivelmente a única chance de estabilizar" a Síria. "Há uma profunda preocupação de que o país caia em uma guerra civil, e as implicações disso são assustadoras", disse. "Não podemos permitir que isso aconteça."

Annan disse que relatou ao Conselho de Segurança que "níveis inaceitáveis de violência e abuso" continuam na Sìria - que as tropas do governo ainda estão presentes dentro e ao redor das cidades e que as violações aos direitos humanos são grandes e podem estar aumentando".

O que começou com um movimento de protesto amplamente pacífico evoluiu para mais sírios pegando em armas em face da repressão do governo. Segundo a ONU, a violência deixou mais de 9 mil mortos desde seu início, há 14 meses.

Com AP , EFE e Reuters

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