Síria vai às urnas em eleição parlamentar vista como 'farsa' por oposição

Rebeldes convocam greve em protesto contra votação na qual, segundo governo, 7 mil candidatos disputam 250 cadeiras do Parlamento

iG São Paulo |

Eleitores foram às urnas nesta segunda-feira na Síria para votar em uma eleição parlamentar anunciada como reforma política pelo governo do presidente Bashar Al-Assad, mas consideradas uma farsa pela oposição.

Leia também: Sob repressão, milhares protestam contra regime na Síria

AP
Foto tirada durante visita guiada pelo governo mostra homem votando em Damasco, na Síria

As urnas foram abertas às 7h (horário local) e a TV síria mostrou eleitores fazendo fila para votar e depositando cédulas brancas em grande caixas de plástico.

Autoridades disseram que mais de sete mil candidatos estão concorrendo às 250 cadeiras do Parlamento. Cerca de 15 milhões dos 24 milhões de moradores da Síria tem direito ao voto.

A votação não deve impactar a revolta popular contra Assad, que começou há 14 meses e já deixou mais de nove mil mortes, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

A oposição acusou o regime de promover uma farsa para se manter no poder.

“A cara desse regime não vai mudar”, afirmou o ativista Mousad Almahadee, que vive em Hama, em entrevista por Skype à Associated Press. “Essa eleição mostra o regime como uma mulher de 70 anos tentando colocar maquiagem.”

As eleições parlamentares são as primeiras desde a adoção da nova Constituição do país, há três meses, que permite o multipartidarismo e define um limite de sete anos para o mandato presidencial, com direito à reeleição. Nas últimas semanas, candidatos encheram a capital, Damasco, com pôsteres eleitorais, mas a oposição acusou o regime de estar por trás de todas as candidaturas. O Parlamento sírio não é considerado um órgão influente na Síria, onde o poder está concentrado nas mãos de Assad.

Alguns eleitores, porém, pareciam animados com a votação. “Quero eleger gente novo, com ideias diferentes”, afirmou Mohammed Hassan, 25 anos, de Damasco. Ele disse que aqueles que boicotam as eleições são “agentes do Ocidente”.

Com AP

    Leia tudo sobre: síriamundo árabeassadprimavera árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG