Sob repressão, milhares protestam contra regime Bashar na Síria

De acordo com organização, ao menos 37 morreram em várias cidades do país apesar da presença de observadores da ONU

iG São Paulo |

Milhares protestaram nesta sexta-feira em diversas cidades da Síria contra o regime de Bashar al-Assad, que reprimiu os protestos violentamente, denunciaram um organismo não governamental e militantes locais.

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AP
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Citado pela rede de TV CNN, os Comitês de Coordenação Local, que apoia a revolta popular, ao menos 37 morreram na repressão desta sexta-feira em Damasco, Idlib, Hama, Homs, Aleppo, Deir Ezzor, Daraa, apesar da presença de observadores da ONU que verificam a suspensão das hostilidades. Atualmente, a missão da ONU no país árabe conta com 40 observadores, número que subirá para 64 até domingo.

As marchas de protesto também foram reprimidas a tiros nos bairros de Jobar e Al-Assali, em Damasco, onde diversos manifestantes foram presos, segundo a organização.

Como em todas as sextas-feiras desde março de 2011, milhares de manifestantes protestaram em diversas cidades atendendo a uma convocação de militantes pró-democracia, para reafirmar seu apoio à revolta popular com o lema: "Nossa lealdade (à revolta) é nossa salvação."

"A Síria quer liberdade", "a Síria sangra", "Fora Bashar", eram algumas das palavras de ordem que podiam ser lidas nos cartazes dos manifestantes em Arbine, perto de Damasco. "Resistiremos mesmo que eles ocupem todos os lugares", disseram militantes em Deraa, referindo-se às operações realizadas pelo Exército em várias cidades. "O povo quer a morte de Bashar", gritava a multidão em Idleb.

As manifestações são organizadas habitualmente na saída das mesquitas depois das orações semanais, apesar da repressão e da militarização da revolta. Na quinta-feira, as forças de segurança efetuaram um ataque contra a cidade universitária de Aleppo , em uma operação que provocou a morte de quatro estudantes e terminou com 200 detidos depois de uma manifestação opositora. O ataque obrigou a universidade a suspender suas aulas até 13 de maio.

"Nos reuniram em frente ao dormitório das mulheres e nos obrigaram a ficar nus. Nos arrastaram e depois caminharam sobre nós dizendo insultos", disse a AFP o estudante Abu Taym, de 22 anos. Segundo Taym, alguns estudantes preferiram se atirar do terceiro ou quarto andar a serem presos.

A persistência de episódios de violência levou os governos dos EUA e da França a expressar mais uma vez suas dúvidas sobre a vontade do governo de Assad em respeitar o cessar-fogo assinado como parte do plano de paz elaborado por Annan.

No entanto, o porta-voz de Annan em Genebra disse que o plano de paz na Síria estava "no caminho". "Há pequenos sinais. Algumas armas pesadas foram retiradas, outras permanecem (...), alguns atos de violência diminuíram, outros foram mantidos", disse o porta-voz.

"Uma crise que começou há mais de um ano não pode ser resolvida em um dia ou uma semana", disse, acrescentando que Annan informará ao Conselho de Segurança da ONU em 8 de maio sobre o andamento do plano de paz.

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Para o general Robert Mood, chefe da missão de observadores da ONU na Síria, o Exército deve dar o primeiro passo para interromper a violência. O militar norueguês visitou Idleb, onde a ação dos observadores será reforçada, segundo informou a televisão síria.

No total, mais de 600 - em sua maioria civis - morreram na Síria desde o início do cessar-fogo formal e mais de 10 mil desde o começo da revolta, segundo o Observatório Síriro de Direitos Humanos.

O número de observadores encarregados de verificar a suspensão das hostilidades chegará a 100 em um mês e a 300 no futuro, segundo uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. O plano de paz elaborado por Annan inclui também a libertação de presos, o direito de se manifestar publicamente e a livre circulação da imprensa e da ajuda humanitária.

Oposição síria na China

Burhan Ghalioun, um dos líderes da oposição síria, chegará a Pequim no domingo para uma visita de três dias A visita de Ghalioun foi anunciada nesta sexta-feira pelo porta-voz de Relações Exteriores, Liu Weimin, em uma coletiva rotineira em Pequim.

Liu acrescentou que a visita responde ao convite do Instituto Chinês de Relações Exteriores. "Ghalioun se reunirá com oficiais do Ministério de Relações Exteriores", disse Liu, para quem a postura da China com a Síria foi sempre consistente. "A China acredita em resguardar os princípios do Conselho de Segurança da ONU e as normas básicas das relações internacionais, além de promover a paz e a estabilidade no Oriente Médio e proteger os interesses fundamentais dos sírios", acrescentou.

Além disso, ele destacou que China manteve o diálogo com a parte governamental síria quanto com a oposição, incluindo a facção de Ghalioun, o Conselho Nacional Sírio (CNS), "com o objetivo de dissipar as tensões".

*Com AFP e EFE

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