Manifestantes entram em choque com forças de segurança no Egito

Confrontos começaram quando egípcios antigoverno tentaram chegar ao Ministério da Defesa; há 1 morto, 296 feridos e 170 presos

iG São Paulo |

Manifestantes entraram em confronto nesta sexta-feira com membros das forças de segurança e do Exército egípcio enquanto tentavam se aproximar da sede do Ministério da Defesa, na cidade de Cairo.  De acordo com o Ministério da Saúde, um soldado morreu e 296 ficaram feridos nos confrontos. Mais de 170 foram presos, de acordo com um oficial que falou sob condição de anonimato.

AP
Soldados egípcios projetam seus cacetetes em direção a manifestante durante confrontos perto do Ministério da Defesa no Cairo
Por causa da violência, o governo egípcio decretou toque de recolher a partir das 23h locais (18h de Brasília) desta sexta-feira até as 7h (2h de Brasília) do sábado nos arredores do Ministério da Defesa, o que impedirá a livre circulação de pessoas pelas ruas próximas ao local.

Durante os confrontos, os manifestantes, que reivindicam a renúncia imediata da junta militar que sucedeu a Hosni Mubarak no ano passado, atiraram pedras no Exército. Em contrapartida, as Forças Armadas usaram canhões de água para impedir a passagem deles para uma estrutura instalada na frente da sede governamental.

Essa foi a segunda vez nesta semana que choques surgiram perto do ministério, depois que manifestantes em sua maioria islâmicos que realizam um protesto no local foram atacados na quarta-feira por agressores ainda não identificados, desatando batalhas campais que deixaram ao menos 11 mortos  e 168 feridos, segundo a versão governamental.

O tumulto ameaça aumentar o confronto entre a junta militar e grupos islâmicos, mas também se expande para englobar outros grupos que se opõem aos generais. Originalmente, os manifestantes em frente do Ministério de Defesa eram poucos ultraconservadores islamitas conhecidos como salafistas, irritados com a desqualificação de seu candidato favorito - o xeque Hazem Abu Ismail - para as eleições presidenciais, cujo primeiro turno está marcado para 23 e 24 de maio.

Tensão: Candidatos suspendem campanha em protesto contra violência no Egito

No início desta sexta-feira, milhares de manifestantes - incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana, os salafistas e movimentos de esquerda - lotaram a emblemática Praça Tahrir, epicentro dos protestos que forçaram a renúncia de Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, para reivindicar a transferência do poder da junta militar para civis e para alertar contra fraudes nas eleições. À tarde, eles marcharam para o Ministério da Defesa, caminhando por vários quilômetros no distrito de Abbasiyah.

Os choques começaram quando os manifestantes em Abbasiyah tentaram atravessar arame farpado colocado entre eles e as tropas que bloqueavam o acesso ao ministério. A televisão egípcia mostrou cenas de violência em Abassiya, com a polícia militar respondendo com pedras e canhões de água às tentativas dos manifestantes de avançar rumo à sede governamental.

A violência desta semana deixou tumultuosa a primeira eleição presidencial egípcia desde a queda de Mubarak, com vários candidatos suspendendo suas campanhas em protesto com a forma de os militares lidarem com a situação.

Na quinta-feira, a junta militar reiterou sua promessa de que entregará o poder após as eleições e que não toleraria a aproximação dos protestos ao Ministério da Defesa. O general Mokhtar al-Mulla, membro da cúpula militar, assegurou na coletiva que "o dever nacional obriga o Exército a defender a sede e todos os edifícios das Forças Armadas".

*Com AP e EFE

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