Militares atacam protesto antigoverno em Aleppo com bombas de gás e tiros, deixando ao menos quatro mortos

As forças de segurança da Síria invadiram uma residência de estudantes em uma universidade no norte do país onde acontecia um protesto antigoverno, informaram ativistas nesta quinta-feira. Pelo menos quatro universitários morreram na ação e vários outros foram feridos por bombas de gás e armas de fogo. As aulas foram suspensas.

Cerca de 1,5 mil estudantes protestavam no local próximo ao campus da Universidade de Aleppo na noite de quarta-feira quando militares armados invadiram a residência, tentando dispersar a manifestação primeiro com bombas de gás e depois com tiros.

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Rebeldes sírios tomam posição no distrito de Khalidiya, em Homs
AFP
Rebeldes sírios tomam posição no distrito de Khalidiya, em Homs

A operação aconteceu pouco depois de universitários pró-regime terem atacado os estudantes com facas. De acordo com Thaer al-Ahmed, que estava no local, o cenário foi de caos e pânico e tiros foram ouvidos por cerca de cinco horas na manhã desta quinta-feira.

“Alguns estudantes correram para seus quartos para se esconder, mas foram seguidos, espancados e presos”, afirmou. “Outros se cortaram e se machucaram enquanto tentavam fugir.”

Aleppo, a maior cidade da Síria, é reduto de partidários do presidente Bashar Al-Assad. Mas estudantes universitários, muitos de regiões onde a oposição é forte, como Idlib, promovem protestos diários contra o regime.

Um estudante de Direito afirmou que o campus e a residência universitária já foram alvos de ataques no passado, mas não tão violentos quanto o dessa quinta-feira.

A residência universitária abriga mais de cinco mil estudantes. Durante a noite, muitos gritam palavras de ordem contra Assad pela janela.

Missão observadora

O ataque à universidade é mais um episódio que viola o cessar-fogo negociado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Liga Árabe no país, marcado para entrar em vigor em 12 de abril.

Apesar da violência, a comunidade internacional ainda tenta salvar o plano de paz. Nesta quinta-feira, o chefe da missão observadora da ONU que está no país, general Robert Mood , visitou as cidades de Homs e Hama e disse que “ainda há chance” de pôr fim aos confrontos;

Jornalistas que acompanhavam a missão entrevistaram moradores que disseram que a vida é praticamente normal durante o dia, mas difícil à noite, com “homens mascarados” nas ruas e sequestros. “Você não vê ninguém na rua após às 18h”, disse um morador de Hama.

Morte de filho de político

Também nesta quinta-feira, o jornal estatal Al-Baath afirmou que Ismael Haidar, filho do opositor sírio Ali Haidar, líder do Partido Nacional Síria, foi assassinado na noite de quarta-feira por um "grupo armado". De acordo com o jornal, homens abrieam fogo contra a vítima e um amigo em um cruzamento de Al Mahnaya, na estrada que une Homs e Masyaf.

Em declarações à agência de notícias oficial, a Sana, Ali Haidar afirmou que o sangue de seu filho "não é mais valioso que o de qualquer sírio". "Aqueles que levam armas não nos aterrorizarão nem nos silenciarão, nem evitarão que trabalhemos dia e noite para estabelecer a paz e a segurança na Síria", disse.

Na quarta-feira, Haidar e outros dirigentes da oposição interna anunciaram a formação de uma coalizão para reivindicar uma mudança pacífica na Síria e reiteraram em comunicado a importância de celebrar um diálogo nacional com todas as partes envolvidas e sem interferência estrangeira.

Homem conversa com observadores da ONU sobre situação em Hama, na Síria
AP
Homem conversa com observadores da ONU sobre situação em Hama, na Síria

Com AP

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