Oposição e Síria trocam acusações sobre grande explosão em Hama

Ativistas afirmam que ataque das forças de Damasco deixou 70 mortos, enquanto governo culpa rebeldes e diz que há 16 mortos

iG São Paulo |

Um ataque contra várias casas no distrito de Masha al-Tayyar de Hama, no centro da Síria, deixou 70 mortos na quarta-feira, denunciaram ativistas nesta quinta-feira. O regime de Bashar al-Assad, por sua vez, afirmou nesta quinta-feira que uma série explosão aconteceu em uma casa usada como fábrica de bombas por "grupos terroristas armados" e deixou ao menos 16 mortos.

AP
Imagem reproduzida de vídeo supostamente mostra sírios ao lado de destroços de prédios atingidos por forças sírias em Hama (25/4)
Segundo a versão do governo, as explosões que destruíram ao menos seis casas da área residencial no centro da cidade foram desatadas acidentalmente por ativistas que manipulavam explosivos. É impossível verificar de forma independente as informações conflitantes pelo fato de que o regime de Assad, que enfrenta um levante popular há 13 meses, restringiu o acesso de jornalistas e de outros ao território sírio.

Enquanto a violência continua na Síria apesar de esforços liderados pela ONU para implementar um cessar-fogo iniciado em 12 de abril, a comunidade internacional vem ficando cada vez mais impaciente com Damasco. Na quarta-feira, a França levantou a possibilidade de uma intervenção militar na Síria, dizendo que a ONU deveria considerar medidas mais duras se o plano de paz do enviado especial Kofi Annan fracassar.

Um importante ativista conclamou que observadores da ONU investiguem a série de explosões. Dois observadores estão em Hama, parte de uma equipe de 15 membros que nas próximas semanas aumentará para 300.

Cessar-fogo: Conselho de Segurança da ONU aprova missão de mais observadores na Síria

Vídeos amadores supostamente do incidente de quarta-feira em Hama mostraram uma grande nuvem de fumaça brança e amarela elevando-se de um bairro cercado por campos verdes. Em um vídeo posterior, dezenas de pessoas fazem buscas em destroços, incluindo grandes pedaços de cimento. Outro trecho mostra o corpo ensanguentado de uma menina sendo carregado por uma multidão.

Os Comitês de Coordenação Local, uma rede de ativistas sírios, disseram que a destruição foi cansada pelo intenso fogo de tanques na área. "A área foi atacada por um longo período", disse o porta-voz Omar Idlibi, rejeitando a versão de que as explosões aconteceram acidentalmente.

Um segundo grupo, o Observatório de Direitos Humanos da Síria (cuja base é o Reino Unido), disse que a causa do incidente ainda não está clara. Inicialmente, o grupo citou relatos de residentes locais de que eles ficaram sob ataque das forças do regime. Entretanto, o chefe do grupo, Rami Abdul-Rahman, afirmou que não estava seguro da precisão dos relatos. Abdul-Rahman pediu uma investigação de observadores da ONU.

Além disso, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição síria, pediu uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU para que se adote uma resolução para proteger os civis sírios. "Nós do CNS responsabilizamos a comunidade internacional, representada pela ONU e o Conselho de Segurança, pelo que acontece", disse o grupo em uma nota, que denuncia o "silêncio generalizado".

"Rejeitamos claramente o novo prazo dado pela comunidade internacional ao regime para que continue com as matanças. Asseguramos que Damasco não tem respeitado até agora nenhum dos pontos do plano do emissário internacional Kofi Annan", afirmou o comunicado.

Segundo a ONU, os 13 meses de conflito na Síria deixaram mais de 9 mil mortos . O governo sírio diz que ataques de terroristas armados mataram mais de 2,6 mil membros das forças de segurança.

*Com AP, AFP e Reuters

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