Protesto contra junta militar reúne milhares no Egito

Manifestantes protestam contra desclassificação de candidatos e exigem respeito à transição democrática

iG São Paulo |

Milhares de egípcios lotaram a Praça Tahrir, no centro do Cairo, nesta sexta-feira para protestar contra a junta militar que governa o país. Os manifestantes exigem que os militares mantenham o compromisso de entregar o poder até o meio do ano, depois de uma disputa sobre quem poderia concorrer na eleição presidencial ter levantado dúvidas sobre a transição democrática.

Os dois principais candidatos islâmicos, um deles representando a Irmandade Muçulmana, que era visto como o favorito, foram anunciados nesta semana entre os desclassificados da eleição que começa em 23 e 24 de maio, o que provocou críticas dos partidários e dos candidatos.

Leia também: Egito desqualifica candidatura dos três favoritos à presidência

AP
Manifestantes protestam contra a junta militar que governa o Egito na Praça Tahrir, no Cairo

Outras cidades, como Alexandria, também tiveram protestos. Manifestantes gritavam "Abaixo a ditadura militar" e "O povo quer a execução do marechal", em uma referência a Mohamed Hussein Tantawi, ministro da Defesa no governo do ex-presidente Hosni Mubarak durante duas décadas, que agora lidera a junta.

Khairat al-Shater, ex-candidato da Irmandade, disse que sua desqualificação mostrou que os generais que governam desde que Hosni Mubarak foi deposto no ano passado não tinham intenção séria de desistir do poder. O movimento está agora preparando um candidato substituto.

Um conselho de generais assumiu o poder 14 meses atrás, depois de manifestações em massa na Tahrir e em outros lugares derrubarem Mubarak. Os militares ficaram a cargo de governar o Egito durante a turbulenta transição, pontuada por atos de violência e protestos.

O Exército diz que vai cumprir o seu calendário para entregar o poder a um novo presidente até 1º de julho e prometeu fiscalizar uma votação justa.

Mas alguns comentários de militares sugerindo que o Exército também pode tentar impor uma nova Constituição antes de entregar o poder aumentaram as preocupações populares sobre as ambições dos militares.

Outro candidato, Omar Suleiman, ex-chefe de espionagem de Mubarak e vice-presidente por breve período, também foi eliminado da disputa eleitoral. Sua candidatura havia levantado temores de que o Exército queria reverter os progressos alcançados desde o levante do ano passado, mas ainda há outros na disputa vistos como remanescentes da antiga ordem de Mubarak.

Com Reuters

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