Síria e ONU fazem acordo sobre missão de observadores

Plano contempla funções de enviados da ONU e responsabilidades do governo de Assad; Ban Ki-moon cobra retirada de tropas sírias

iG São Paulo |

A Síria e as Nações Unidas chegaram a um acordo sobre os termos de uma missão de observadores para monitoramento do cessar-fogo no país.

Missão: Monitores da ONU iniciam trabalhos na Síria em meio a confrontos

Reuters
Manifestantes protestam contra governo de Bashar al-Assad em Kafranbel, perto de Idlib (15/4)
Segundo um porta-voz do enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, o acordo contempla as funções da missão, assim como as tarefas e responsabilidades do governo da Síria. O gabinete de Annan confirmou que o acordo foi assinado e disse também ter havido conversas com representantes de grupos opositores sírios.

“Este acordo delineia as funções de observadores durante sua missão na Síria, assim como tarefas e responsabilidades que o governo sírio deve respeitar”, disse o porta-voz Ahmad Fawzi em comunicado.

Na quinta-feira, um grupo de observadores visitou a província de Daraa, onde ativistas protestaram em volta dos enviados no vilarejo de Khirbet Ghazaleh. Um vídeo amador postado por ativistas na internet mostra ao menos dois observadores - incluindo o chefe da missão, o coronel Ahmed Himiche - ao lado de um veículo da ONU enquanto dezenas de pessoas gritavam frases como “Morrer é melhor que humilhação” e “O povo quer derrubar o regime”.

Atualmente, há sete observadores da ONU em território sírio. A missão está sendo ampliada para 30 e Ban Ki-moon pedirá que o número de observadores suba para 300 na Síria.

Em tese, atualmente vigora no país uma trégua, mas relatos de violência pelo país continuam. Apesar de a violencia ter diminuído na data prevista para o cessar-fogo, 12 de abril, os confrontos voltaram a aumentar nos últimos dias. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, novos confrontos dessa quinta-feira deixaram ao menos três mortos no país. Além disso, foram reportados bombardeios na cidade de Homs, a terceira maior do país

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que falará ao Conselho de Segurança ainda nesta quinta-feira sobre a situação na Síria, disse que a violência aumentou nos últimos dias e também que a missão de observadores seria ampliada e se estenderia por três meses.

O Conselho de Segurança, no entanto, está receoso em colocar observadores desarmados em território sírio se a situacao continuar a se deteriorar com a intensidade atual. Não está claro ainda como observadores da ONU terão acesso ou se deslocarão sob os termos das autoridades sírias.

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Em comunicado às Nações Unidas, Ban disse que o governo sírio não cumpriu com os termos do plano de paz , mas ainda há “oportunidade para progresso”. Ele disse ainda que é essencial que o governo mantenha sua promessa de retirar as tropas de áreas povoadas para haver diminuição da violência.

Ban ressaltou ainda que não tem havido “significativa libertação de presos” e “progresso substantivo” nas negociações sobre acesso humanitário, previsto também no plano de paz proposto por Annan ao governo sírio.

*Com AP e BBC

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